5 formas de ampliar a inclusão financeira na América Latina através da união entre bancos e cripto
Um dos movimentos mais relevantes no setor financeiro da América Latina é o uso crescente de infraestrutura cripto por bancos tradicionais para resolver ineficiências antigas em pagamentos, liquidação e acesso a capital.
A Bitfinex Securities, através de sua pesquisa ‘Market Inclusion Report 2025’, defendeu que a colaboração entre as finanças tradicionais e plataformas de ativos digitais pode acelerar a inclusão financeira na região, especialmente em mercados onde empresas, investidores e pessoas físicas ainda enfrentam barreiras elevadas para acessar capital.
Fabian Delgado, Gerente de Desenvolvimento de Negócios para a América Latina na Bitfinex, afirmou que a América Latina tem uma oportunidade dupla e rara: modernizar sua infraestrutura financeira ao mesmo tempo em que amplia a participação nos mercados de capitais. “Já vimos os primeiros sinais com leis pioneiras aprovadas em El Salvador e com o sucesso expressivo do Pix no Brasil. Por isso, acreditamos que, nos próximos doze meses, quem se destacar será aquele que souber combinar a solidez estrutural dos bancos tradicionais com a agilidade dos ativos digitais, trazendo novos níveis de inclusão financeira tanto para empresas quanto para investidores”, aponta o executivo.
Com base nos dados do relatório, listamos cinco formas pelas quais essa convergência pode transformar o investimento e a inclusão financeira na América Latina ao longo deste ano.
- Liquidação mais rápida abre mais espaço no mercado
Embora 74% dos latino-americanos já tenham conta bancária, os mercados de capitais da região ainda operam de forma lenta, concentrada e cara. Em vários países, um pequeno número de bancos domina o setor, o que limita a concorrência e aumenta os custos para empresas e investidores.
As plataformas de tokenização oferecem aos bancos um caminho para liquidação quase em tempo real, e reduzindo a dependência da infraestrutura tradicional. Para investidores institucionais, a liquidação mais rápida melhora a eficiência do capital. Para participantes menores, ela reduz as barreiras operacionais para acessar oportunidades de investimento regulamentadas, que hoje ainda estão concentradas nas grandes instituições financeiras.
- Tokenização pode reduzir os custos de financiamento para pequenas e médias empresas
Captar recursos nos mercados públicos da América Latina ainda é caro demais para a maioria das PMEs, por conta das taxas de financiamento, custos de conformidade regulatória e complexidade administrativa. De acordo com o estudo da Bitfinex, emissões tradicionais na região podem cobrar taxas de até 7%, mas modelos de emissão tokenizada têm potencial para reduzir esses custos simplificando os processos de liquidação e distribuição.
Isso é relevante em uma região onde as PMEs representam 99,5% das empresas, mas frequentemente têm dificuldade para acessar financiamento externo. Com custos de emissão menores, bancos e plataformas de tokenização poderiam ampliar o acesso ao capital para além dos grandes tomadores corporativos.
- Regulamentação constrói confiança institucional
A falta de clareza regulatória historicamente limitou a participação doméstica e estrangeira nos mercados de ativos digitais da América Latina. Brasil e Argentina, por exemplo, ocupam posições baixas no Índice de Percepção de Corrupção, nos lugares 35 e 36 respectivamente, e essa desconfiança está em parte ligada a essas lacunas regulatórias.
A colaboração entre instituições financeiras regulamentadas e plataformas nativas de criptoativos pode ajudar a fechar essa brecha. Os bancos contribuem com infraestrutura e credibilidade institucional, enquanto as empresas de ativos digitais trazem expertise em liquidação baseada em blockchain e emissões tokenizadas.
El Salvador já criou marcos pioneiros, como a Lei de Emissão de Ativos Digitais (LEAD), desenvolvida para apoiar produtos tokenizados de dívida e capital dentro de um ambiente regulamentado. Apoiadores acreditam que estruturas semelhantes poderiam atrair capital regional e reduzir o atrito para novos emissores.
Uma regulamentação mais transparente também poderia oferecer a pequenos empreendedores e investidores um acesso mais claro e seguro a mercados financeiros que, historicamente, sempre foram dominados por grandes instituições.
- Stablecoins como infraestrutura financeira
Em economias marcadas pela inflação e pela volatilidade cambial, as stablecoins estão sendo usadas cada vez mais não apenas como proteção contra a desvalorização, mas também para pagamentos e gestão de caixa. Os cases de sucesso com bancos no Brasil já são expressivos: BTG Pactual, Itaú e Nubank integraram stablecoins em seus pagamentos cross-border.
Para PMEs que operam em economias voláteis ou em regiões mais afastadas, essa infraestrutura pode reduzir a exposição à instabilidade da moeda local e ampliar o acesso a mercados regionais e internacionais.
- Propriedade compartilhada democratiza o acesso a investimentos
A participação do varejo nos mercados de capitais latino-americanos ainda é baixa. Na Colômbia, por exemplo, apenas 2% da população investe ativamente na bolsa, um percentual muito inferior ao de mercados com nível de desenvolvimento parecido.
A tokenização viabiliza a propriedade compartilhada, permitindo que qualquer pessoa acesse ativos de alto valor, como títulos do Tesouro americano tokenizados, a partir de apenas US$ 1. Isso poderia abrir o acesso a produtos como dívida pública, imóveis ou crédito privado com tíquetes mínimos muito menores do que os exigidos hoje.
Para bancos e corretoras, uma base de participantes mais ampla pode aprofundar a liquidez e fortalecer os mercados de capitais locais, tornando-os mais resilientes aos choques assimétricos comuns em economias emergentes. Para investidores mais jovens e para quem está fora das redes financeiras tradicionais, essa mudança pode criar acesso a oportunidades de construção de patrimônio que, até agora, eram reservadas a clientes institucionais.
*Comunicado de imprensa