Bitcoin recupera força e reacende o apetite institucional

Bitcoin recupera

A volta do Bitcoin acima de US$ 91 mil ocorre em um momento de intensa volatilidade, mas também de renovado interesse institucional. Embora o mercado ainda apresente sinais mistos, diversos indicadores sugerem um cenário mais construtivo. Além disso, o feriado nos EUA adiciona uma dinâmica particular ao movimento, já que o volume costuma diminuir, porém, reações exageradas tornam-se mais comuns.

Assim, o avanço do BTC reacende a confiança dos investidores após uma sequência de quedas, ainda que o contexto geral permaneça sensível às oscilações de humor do mercado global.

Pressão pré-feriado e sinais de estabilização

O Bitcoin ultrapassou novamente os US$ 90 mil na tarde de quarta-feira, quebrando um padrão historicamente negativo para a véspera do Dia de Ação de Graças. O ativo havia recuado para perto de US$ 80 mil na última sexta-feira, mas recuperou aproximadamente 12% desde então. No entanto, apesar desse alívio, o BTC segue 3% abaixo da média semanal e ainda 28% distante de sua máxima histórica de US$ 126 mil.

Durante a publicação, o preço operava levemente acima de US$ 91 mil, com valorização diária próxima de 3%. Parte desse movimento também parece ter sido influenciado por um excesso de pessimismo, já que a volta acima do patamar de 90 mil coincidiu com manchetes negativas na mídia tradicional. Frequentemente, esse tipo de dissonância marca o fim — e não o início — de um ciclo de pânico.

Além disso, a volatilidade tende a diminuir na semana do feriado, segundo Jasper De Maere, da Wintermute. O mercado está operando dentro de uma faixa estreita entre US$ 85 mil e US$ 90 mil, com traders vendendo opções de compra e apostando em estabilidade. Assim, o cenário atual demonstra conforto em operar lateralmente até que um novo catalisador apareça.

A corrida institucional e a visão de longo prazo

Enquanto o mercado varejista se movimenta de forma tensa, o lado institucional mostra um aumento notável de demanda. Alta pós divulgações  sobre a BlackRock aumentando sua exposição  ao ETF de Bitcoin à vista. Acumulando 2.397.423 ações da IBIT, avaliadas em US$ 155,8 milhões, representando alta de 14% em relação ao trimestre anterior. Além disso, o JPMorgan lançou uma nota estruturada vinculada ao desempenho do IBIT. Oferecendo aos clientes institucionais um retorno fixo de 16% caso o ETF mantenha determinado preço no próximo ano.

O produto também inclui proteção parcial contra perdas e possibilidade de ganhos ampliados até 2028, reforçando o apetite por instrumentos complexos ligados ao Bitcoin. No entanto, a estrutura exige que investidores abram mão de juros tradicionais e assumam riscos típicos de derivativos, ainda que com amortecedores.

Segundo Vetle Lunde, da K33, o Bitcoin apresentou uma fraqueza incomum em relação ao Nasdaq, ficando atrás do índice em 70% das sessões do último mês. Ele aponta que períodos semelhantes ocorreram apenas em momentos de choques muito específicos da indústria — algo que não está presente agora. Assim, essa disparidade pode sinalizar uma oportunidade de longo prazo, principalmente porque dados recentes mostram saturação da liquidação.

Durante a queda para US$ 80,5 mil, o volume à vista atingiu US$ 14,3 bilhões, um dos maiores níveis do ano. Movimentos assim costumam surgir em momentos de capitulação. Além disso, houve queda no interesse em contratos futuros, grandes saídas de ETPs e sinais de resgates que lembram eventos anteriores de fundo.