Perdões de Trump redefinem cenário regulatório do Bitcoin

O segundo mandato de Donald Trump alterou a política dos EUA para ativos digitais. Logo nos primeiros meses, os perdões concedidos a figuras centrais recolocaram o debate sobre regulação em evidência. Assim, o impacto dessas decisões atingiu diretamente o mercado de Bitcoin e de outros Ativos.

Perdões inauguram nova postura federal sobre cripto

O perdão mais simbólico envolveu Ross Ulbricht, criador do Silk Road. Ele havia recebido duas penas de prisão perpétua por administrar o mercado da dark web e lidar com transações em Bitcoin. Após mais de dez anos preso, teve a sentença anulada. A decisão cumpriu promessa antiga feita por Trump a apoiadores libertários e defensores do movimento Free Ross.

Ulbricht apareceu meses depois na conferência Bitcoin 2025, onde agradeceu o apoio público. No entanto, a medida provocou forte divisão. Muitos consideraram o perdão um gesto histórico para defensores da privacidade digital, mas críticos afirmaram que a decisão enfraquecia um dos casos mais marcantes de cibercrime no país.

Perdões a executivos da BitMEX marcam ruptura regulatória

No mesmo período, Trump também concedeu perdão a Arthur Hayes, Benjamin Delo, Samuel Reed e Greg Dwyer, executivos ligados à BitMEX. Eles haviam se declarado culpados em 2022 por violações da Lei de Sigilo Bancário após falhas na implementação de controles contra lavagem de dinheiro. O perdão eliminou os registros criminais, embora todos já tivessem cumprido suas penas.

Além disso, a ação representou uma ruptura com a política regulatória anterior, que pressionava fortemente empresas de cripto que operavam com usuários dos EUA. Assim, o movimento ampliou o debate sobre a coerência das decisões federais em 2025.

Entre os três casos, o perdão mais controverso envolveu Changpeng Zhao, fundador da Binance. Zhao foi condenado em 2023 após admitir violações de normas de combate à lavagem de dinheiro e passou quatro meses preso em 2024. Em outubro de 2025, Trump decidiu perdoá-lo, classificando o ato como o fim da alegada guerra do governo anterior contra o setor de cripto.

Reações políticas intensificam debate institucional

A decisão gerou forte reação no Congresso. O senador Chris Murphy levantou suspeitas sobre possíveis influências políticas envolvendo a Binance, citando a stablecoin USD1 e acordos bilionários no Oriente Médio. Embora nada tenha sido comprovado, as acusações ampliaram a atenção pública sobre possíveis vínculos entre o governo e a World Liberty Financial, empresa associada à família Trump.

Em entrevista ao programa 60 Minutes, Trump afirmou não conhecer Zhao pessoalmente e classificou sua condenação como resultado de perseguição política. Zhao agradeceu publicamente, mas não retomou cargos de liderança na Binance.

As críticas se intensificaram. A senadora Elizabeth Warren afirmou que o perdão a Zhao criava um precedente perigoso e poderia estimular tentativas de lobby no setor. Por outro lado, apoiadores da indústria consideraram as decisões um passo necessário para reduzir pressões regulatórias sobre empresas de cripto.

Portanto, os três perdões recolocaram o Bitcoin e o mercado de cripto no centro da política nacional. Além disso, retomaram casos que influenciaram a fiscalização do setor na última década. Com isso, as decisões de Trump moldaram um novo cenário regulatório, marcando o início de um período de debates mais intensos à medida que 2026 se aproximava.