Mercado cripto reage hoje, mas recuperação ainda inspira cautela
O mercado cripto iniciou o mês de janeiro com um movimento de recuperação que reacendeu o apetite por risco entre os investidores. Nesta quinta-feira, 2 de janeiro, o Bitcoin voltou a ganhar tração após a recente correção, superando a marca de US$ 88.500. Ao mesmo tempo, o Ethereum retomou o patamar psicológico dos US$ 3.000, reforçando a percepção de que parte do mercado passou a enxergar os preços atuais como oportunidade.
Alta de preços anima investidores, enquanto sinais técnicos mantêm alerta ligado
Como consequência direta desse movimento, a capitalização total do mercado cripto avançou 1,35% nas últimas 24 horas, ultrapassando novamente os US$ 3 trilhões. Embora o avanço ainda seja moderado, ele sinaliza uma mudança relevante de humor após semanas de pressão vendedora e volatilidade elevada.
Além disso, o desempenho positivo não ficou restrito aos principais ativos. A maioria das altcoins operou no campo positivo, indicando um movimento mais amplo de recomposição de posições por parte dos investidores.
Altcoins lideram ganhos e reforçam clima de alívio no curto prazo
Entre os destaques do dia, o token History (IP) registrou uma valorização expressiva de aproximadamente 30%, liderando o ranking de ganhos. Logo atrás, o memecoin Pepe avançou cerca de 25%, refletindo o retorno do apetite especulativo em segmentos de maior risco.
Outros projetos relevantes também apresentaram altas consistentes. Aerodrome Finance (AERO), Immutable (IMX), Filecoin (FIL), Maple Finance (SYRUP) e Render (RNDR) subiram mais de 10% no período. Esse comportamento sugere que o fluxo comprador não ficou concentrado apenas em Bitcoin e Ethereum, mas se espalhou por diferentes narrativas do ecossistema.

No entanto, apesar do alívio momentâneo, analistas destacam que boa parte dessas altas ocorre após quedas acentuadas registradas nas últimas semanas, o que reforça a necessidade de cautela ao interpretar o movimento.
Compra da queda e Efeito Janeiro impulsionam recuperação
Uma das principais explicações para a alta do mercado cripto está no comportamento clássico de “compra da queda”. Atualmente, o Bitcoin ainda acumula uma desvalorização de cerca de 30% em relação ao seu topo registrado em 2025. O Ethereum, por sua vez, permanece aproximadamente 40% abaixo de sua máxima recente.
Além disso, outros tokens de grande capitalização também operam com perdas de dois dígitos quando comparados aos picos do ano passado. Historicamente, movimentos dessa magnitude costumam atrair investidores dispostos a assumir risco em busca de retornos assimétricos.
Paralelamente, o mercado começa a precificar o chamado Efeito Janeiro. Esse fenômeno ocorre quando ativos financeiros apresentam desempenho positivo no início do ano, impulsionados pela recomposição de portfólios após vendas realizadas em dezembro, muitas vezes motivadas por estratégias de compensação fiscal. Assim, a combinação entre preços descontados e sazonalidade favorável ajuda a explicar o atual movimento de recuperação.
Interesse aberto em futuros cresce, mas ainda longe dos picos
Outro fator que contribui para o avanço do mercado é o aumento do interesse aberto no mercado de futuros. Dados da CoinGlass indicam que o indicador cresceu 2,16% nas últimas 24 horas, alcançando aproximadamente US$ 130 bilhões. Esse crescimento sugere maior utilização de alavancagem, o que normalmente reflete expectativa de continuidade do movimento de alta.
Ainda assim, o número permanece significativamente abaixo do pico registrado no ano passado, quando o interesse aberto ultrapassou US$ 255 bilhões. Desde então, o mercado segue sob o impacto do grande evento de liquidação ocorrido em 10 de outubro, quando mais de 1,6 milhão de traders tiveram posições encerradas de forma forçada.
Apesar disso, há um sinal positivo adicional. As liquidações totais em 24 horas recuaram cerca de 40%, somando US$ 141 milhões. Nesse intervalo, aproximadamente 102.114 traders foram liquidados, com destaque para posições vendidas em Bitcoin, que totalizaram US$ 23,5 milhões.
Apetite por risco global sustenta otimismo antes de decisões do Fed
O avanço do mercado cripto também ocorre em sintonia com o desempenho positivo dos mercados tradicionais. No início do ano, bolsas globais começaram em alta, com o índice Hang Seng subindo 2,70% e o Sensex avançando cerca de 30 pontos-base. Além disso, os futuros atrelados ao Nasdaq 100 e ao S&P 500 também operaram no campo positivo.
Esse cenário reflete um ambiente de maior apetite por risco, impulsionado pela expectativa de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve ao longo do ano. Somam-se a isso a perspectiva de grandes IPOs, como Anthropic, SpaceX e Kunluxin, além da expectativa por resultados corporativos robustos.
Consequentemente, esse conjunto de fatores macroeconômicos ajuda a sustentar o otimismo no mercado cripto, que costuma reagir de forma amplificada a movimentos positivos nos ativos de risco.
Recuperação pode ser armadilha, alertam sinais técnicos
Apesar do clima mais construtivo, os riscos permanecem relevantes. Um dos principais alertas é a possibilidade de que o movimento atual represente apenas um “dead-cat bounce”, ou seja, uma recuperação temporária dentro de uma tendência maior de baixa.
Esse receio ganha força diante da queda expressiva no volume negociado. O volume de 24 horas despencou cerca de 25%, totalizando US$ 64 bilhões, bem abaixo do padrão histórico, que costuma superar US$ 100 bilhões em períodos de mercado saudável.
Além disso, tentativas anteriores de recuperação encontraram resistência significativa, com grandes participantes, como Wintermute e Binance, aproveitando os repiques para vender. Do ponto de vista técnico, Bitcoin e diversas altcoins ainda formam padrões baixistas, como o pennant de baixa, e permanecem abaixo das principais médias móveis.
Portanto, embora o início de janeiro traga sinais de alívio, o cenário segue delicado. A recuperação existe, mas ainda precisa de confirmação consistente para afastar o risco de novas quedas no curto e médio prazo.