Maior canal cripto do mundo diz que o ciclo de 4 anos do Bitcoin morreu

Análise indica que o Bitcoin entrou em um novo modelo de ciclo, influenciado por liquidez global, ETFs e investidores institucionais

O mercado de criptomoedas encerrou 2025 de forma muito diferente do que a maioria dos investidores esperava. Em vez de um rali parabólico no quarto trimestre e de um topo explosivo impulsionado pelo halving, o Bitcoin enfrentou uma correção significativa, reacendendo o debate sobre a validade do tradicional ciclo de quatro anos. Segundo uma análise aprofundada do Coin Bureau, um dos maiores canais de criptomoedas do mundo, esse modelo pode não estar morto, mas definitivamente deixou de ser simples.

A leitura é clara: o Bitcoin passou por uma mudança estrutural, na qual fatores macroeconômicos e institucionais passaram a ter um peso maior do que o calendário do halving.

Um choque de realidade no fim de 2025

Ao final de dezembro de 2025, o Bitcoin era negociado na região de US$ 87.000, representando uma queda aproximada de 30% em relação à máxima histórica de US$ 126.000, registrada de forma antecipada em 6 de outubro. O movimento surpreendeu o mercado, especialmente porque o quarto trimestre costuma ser historicamente o período mais otimista para o setor.

Em vez disso, o Q4 de 2025 terminou com uma retração próxima de 24%, configurando o pior desempenho do período desde o inverno cripto de 2018. Em ciclos anteriores, como 2013, 2017 e 2021, o topo ocorreu entre novembro e dezembro. Desta vez, o mercado antecipou o pico e frustrou a expectativa de um encerramento explosivo de ano.

ETFs mudam a dinâmica da volatilidade

De acordo com o Coin Bureau, o principal fator por trás dessa mudança é a consolidação dos ETFs de Bitcoin à vista, lançados em 2024. Desde então, esses produtos já absorveram mais de US$ 100 bilhões em ativos, abrindo definitivamente as portas do mercado cripto para investidores institucionais.

Esse novo perfil de capital trouxe consequências diretas. A volatilidade do Bitcoin, que já superava 200% em 2012, caiu para cerca de 50% nos níveis atuais. Diferentemente do investidor de varejo, que costuma agir por emoção e impulsionar altas verticais, fundos de pensão, gestores profissionais e tesourarias corporativas adotam estratégias passivas e disciplinadas.

Essas instituições costumam rebalancear posições de forma periódica, comprando em correções e reduzindo exposição em altas, criando um efeito amortecedor. O resultado é um mercado menos explosivo, porém também menos suscetível a quedas extremas de 80%, como em ciclos passados. A correção atual, limitada a cerca de 30%, reflete exatamente essa nova dinâmica.

Do halving para o ciclo de liquidez global

Outro ponto central da análise é a transição do Bitcoin para um ciclo guiado por liquidez, e não apenas por escassez programada. Em 2025, o ativo reagiu de forma mais direta às condições macroeconômicas, especialmente às políticas do Federal Reserve (Fed).

Durante boa parte do ano, o Fed manteve o aperto quantitativo (QT), retirando liquidez do sistema financeiro. Essa escassez de capital acabou neutralizando o tradicional rali de fim de ano no mercado cripto. No entanto, em 1º de dezembro, o banco central encerrou oficialmente o QT, sinalizando uma futura expansão da liquidez global.

Para o Coin Bureau, isso indica que o ciclo de alta não terminou, mas foi estendido no tempo. Modelos baseados em liquidez global (M2) agora apontam que o verdadeiro pico desse ciclo pode ocorrer apenas em meados de 2026.

Projeções mantêm alvo entre US$ 150 mil e US$ 200 mil

Mesmo com a correção recente, grandes instituições financeiras continuam otimistas. Bancos como Standard Chartered, Citi e Bernstein mantêm projeções que colocam o Bitcoin entre US$ 150.000 e US$ 200.000 ao longo de 2026.

Analistas como Tom Lee, da Fundstrat, reforçam a tese de que este é um ciclo diferente. Segundo ele, o movimento começou mais cedo, tende a durar mais tempo, mas será menos explosivo. Em vez de um padrão de “boom e quebra”, o mercado estaria migrando para um modelo de acumulação gradual e sustentada.

Indicadores on-chain sugerem meio de ciclo

Do ponto de vista on-chain, a leitura também reforça essa interpretação. O MVRV Z-Score, indicador usado historicamente para identificar topos de mercado, costuma sinalizar o fim de ciclo quando se aproxima do nível 5. Atualmente, o indicador opera em torno de 2, sugerindo que o mercado atravessa uma correção de meio de ciclo, e não um encerramento definitivo.

Esse dado reforça a ideia de que a atual fraqueza de preço pode fazer parte de um processo de consolidação mais longo.

Nova estratégia ganha espaço entre investidores

Com a redução da volatilidade e a mudança estrutural do mercado, o Coin Bureau destaca que tentar acertar o topo exato pode ser cada vez mais arriscado. Em vez disso, estratégias como o DCA out, que consiste em vendas graduais à medida que o preço sobe, ganham relevância.

Além disso, o monitoramento de indicadores macroeconômicos, como a liquidez global e o balanço do Fed, passa a ser tão importante quanto os eventos internos da rede Bitcoin.

Um mercado mais maduro

Embora o ciclo previsível de quatro anos possa ter perdido força, ele parece ter sido substituído por um mercado mais maduro, institucionalizado e sensível ao cenário macroeconômico. Para o Coin Bureau, o Bitcoin entrou em uma fase de alta secular, na qual grandes players ainda estão se posicionando e a dinâmica de preços tende a ser menos extrema, porém mais sustentável.

Nesse novo contexto, entender liquidez, comportamento institucional e métricas on-chain se torna essencial para acompanhar o próximo capítulo do mercado cripto.

O autor:

André , ariano, engenheiro, empreendedor, trader de criptos profissional, palestrante e professor. Adora números, gráficos e aprender coisas novas.