Dubai condena mulher por golpe com ativos cripto

O roubo de aproximadamente US$ 1 milhão em ativos cripto levou uma mulher a ser condenada por um tribunal de Dubai, após investigação que revelou a troca clandestina de uma carteira física usada para armazenar chaves privadas. O esquema permitiu o desvio imediato dos fundos da vítima, que acreditava estar participando de uma verificação financeira legítima.

Golpe foi aplicado durante suposta reunião de negócios

Segundo documentos citados pelo Khaleej Times, o crime ocorreu durante um encontro marcado para confirmar a capacidade financeira de um investidor interessado em financiar um projeto comercial. O homem que apresentou a proposta dizia administrar uma empresa de investimentos e demonstrava intenção de avançar com o projeto.

No entanto, antes de prosseguir, ele exigiu que a vítima provasse que possuía um volume expressivo de ativos digitais. Assim, foi acordada uma reunião presencial para verificar uma carteira física que armazenava o montante exigido.

O suposto investidor não compareceu ao encontro e enviou sua esposa no lugar. Conforme a investigação, ela aproveitou um momento de distração para substituir o dispositivo original por outro idêntico, preparado previamente. A troca garantiu acesso às chaves privadas e, portanto, ao controle total dos fundos da vítima.

Fundos desviados sem detecção imediata

Após a substituição clandestina, começaram as transações não autorizadas. A vítima não percebeu o desvio de imediato, já que as operações ocorreram em diferentes endereços e dificultaram a recuperação. Quando notou as movimentações suspeitas, o investidor acionou as autoridades locais, que iniciaram uma investigação formal e encaminharam o caso ao Tribunal de Contravenções e Infrações de Dubai.

As transferências rápidas tornaram impossível o bloqueio imediato dos valores. Além disso, os fundos foram pulverizados para várias carteiras, reforçando o caráter planejado do golpe. A investigação concluiu que o esquema envolveu mais de uma pessoa, incluindo o marido da acusada.

Tribunal criminal determina prisão e deportação

Após analisar as provas, o tribunal considerou a mulher culpada por furto. Ela foi sentenciada a dois meses de prisão, além de multa equivalente ao valor dos ativos desviados. A decisão também determinou sua deportação ao término da pena. Posteriormente, a Corte de Apelação manteve a decisão criminal, confirmando todas as penalidades.

Documentos judiciais apontaram que o marido da condenada teve participação direta no roubo, mas permanece foragido. A acusada, por sua vez, não apresentou justificativas que convencessem o tribunal a reduzir sua responsabilidade no esquema.

Indenização civil atinge Dh4,3 milhões mais juros anuais

Com a conclusão do processo criminal, a vítima ingressou com uma ação civil pedindo ressarcimento pelos prejuízos e lucros cessantes. Ele argumentou que o valor dos ativos aumentou desde o roubo, gerando danos adicionais. O tribunal civil concordou com os argumentos e determinou o pagamento de Dh4,3 milhões, além de 5 por cento de juros anuais até o cumprimento total.

A decisão reforçou que ativos digitais são considerados propriedade financeira protegida sob as leis dos Emirados Árabes Unidos. Assim, o caso fortalece o entendimento jurídico que garante segurança regulatória para titulares de Bitcoins e outros ativos digitais no país.

A sentença demonstra, decerto,  a postura firme das autoridades contra crimes envolvendo ativos digitais, destacando as consequências legais graves que incluem prisão, deportação e indenizações elevadas. Além disso, o caso também alerta investidores sobre a importância de redobrar a segurança em encontros presenciais ligados a verificações financeiras.