Bitcoin mantém força após crise EUA‑Venezuela
O Bitcoin encerrou o fim de semana estável, mesmo após a escalada do conflito entre Estados Unidos e Venezuela que levou à captura de Nicolás Maduro. Apesar da gravidade do episódio, o ativo se manteve próximo de US$ 90.000 e reforçou sua imagem de resiliência diante de tensões geopolíticas.
Segundo autoridades norte‑americanas, forças militares dos EUA realizaram ataques em Caracas e detiveram Maduro e sua esposa, Cilia Flores, que foram levados ao território dos EUA. De acordo com a BBC, o ex‑governante enfrentará acusações de narco‑terrorismo em Nova York. Esse movimento representou a ação militar mais direta dos EUA na América Latina em décadas.
A criptomoeda chegou a recuar abaixo de US$ 90.000, porém recuperou rapidamente o nível e operou entre US$ 91.000 e US$ 93.000 durante o fim de semana.

Fonte: TradingView
Esse comportamento chamou atenção, já que conflitos anteriores provocaram quedas mais acentuadas em ativos de risco. No entanto, dados on‑chain ajudam a explicar o cenário. Uma análise da CryptoQuant avaliou o Exchange Netflow e não encontrou aumento relevante de entrada de Bitcoin em exchanges após as notícias. O relatório pode ser consultado em CryptoQuant.

Fonte: CryptoQuant
Historicamente, picos de entrada em exchanges costumam indicar intenção de venda. Desta vez, o movimento discreto sugeriu que investidores preferiram manter suas posições. Além disso, desde 2023, tensões localizadas geram impactos mais curtos no mercado, tendência repetida neste episódio.
Mercado reage com estabilidade mesmo após escalada militar
Nos derivativos, o cenário reforçou a percepção de força. Dados da Coinglass mostraram US$ 257,3 milhões em liquidações nas últimas 24 horas, principalmente de posições vendidas. Shorts somaram US$ 182,6 milhões, enquanto posições compradas totalizaram US$ 74,7 milhões.

Fonte: Coinglass
A predominância de liquidações de shorts indicou que a aposta em queda rápida não se concretizou. Além disso, investidores diferenciam o impacto de conflitos militares regionais de eventos que afetam fluxos globais, como tensões regulatórias ou disputas econômicas entre potências. A recente ameaça de tarifas dos EUA contra a China, por exemplo, gerou volatilidade maior do que a crise venezuelana.
Reservas da Venezuela em cripto influenciam percepção do mercado
A Venezuela possui ao menos 240 BTC em reservas oficiais, segundo dados públicos. Analistas discutem a possibilidade de valores maiores acumulados ao longo dos anos, embora sem confirmação oficial.
Caso ativos digitais do país sejam apreendidos pelos EUA, especialistas avaliam que esses Bitcoins ficariam sob longos processos legais, impedindo sua circulação imediata. Portanto, qualquer impacto na oferta seria limitado no curto prazo, o que também ajuda a explicar a estabilidade atual.
Assim, mesmo diante da maior crise política da região em décadas, o Bitcoin demonstrou resistência e manteve seu comportamento sólido, reforçando sua posição no mercado global.