Bitcoin sobe a US$ 92 mil impulsionado por fluxo em ETFs

O Bitcoin ampliou o movimento de recuperação e alcançou US$ 92.714 nas últimas 24 horas. Em reais, o ativo é negociado próximo de R$ 503.575, segundo dados do Portal do Bitcoin. O avanço ocorre em meio à forte demanda institucional pelos ETFs à vista dos Estados Unidos, que voltaram a registrar fluxos expressivos.

O iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock, atraiu US$ 287,4 milhões na sexta-feira, seu maior aporte diário desde outubro de 2024. Esse fluxo reforça a retomada do interesse dos grandes investidores pelo ativo, em um momento de maior instabilidade global e busca por proteção descentralizada.

Fluxo institucional forte reforça tendência positiva

O cenário geopolítico também contribuiu para a valorização recente. A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos elevou a tensão internacional e pressionou mercados como o de petróleo, que registrou mínimas de quatro anos. Apesar disso, o mercado de cripto se manteve resiliente, fortalecendo a percepção do Bitcoin como alternativa diante de incertezas.

Em entrevista ao Decrypt, Sean Dawson, chefe de research da Derive, afirmou que a ação militar norte-americana aumenta a volatilidade global e está alinhada à postura mais assertiva da política “America First”. Para ele, esse ambiente reforça o perfil do Bitcoin como ativo estratégico em períodos de instabilidade.

Dawson observou que aliados do governo possuem investimentos ligados ao setor, sugerindo que o recente episódio pode sinalizar maior compatibilidade entre ativos digitais e interesses estratégicos dos Estados Unidos.

Aumento dos aportes consolida tendência de reequilíbrio

Dawson destacou ainda que o forte fluxo nos ETFs reflete o interesse renovado dos investidores em ativos que combinem proteção e potencial de valorização. Assim, os ETFs à vista de Bitcoin registraram entradas combinadas de US$ 471,3 milhões na sexta-feira, o maior volume desde novembro.

Segundo Pratik Kala, chefe de research da Apollo Crypto, o início do ano impulsionou o rebalanceamento de carteiras. Ele explicou ao Decrypt que o Bitcoin teve desempenho inferior no fim de 2025 e ficou abaixo do peso ideal em diversas alocações institucionais. Portanto, o início de 2026 trouxe novas compras e reposicionamento.

Kala acrescentou que a colheita de prejuízos fiscais, comum no fim do ano, abriu espaço para maior demanda no primeiro trimestre. Além disso, ele reforçou que a captura de Maduro destacou o papel do Bitcoin como reserva de valor descentralizada e resistente à censura, em meio a rápidas mudanças geopolíticas.

Outros ETFs também registraram entradas significativas. O FBTC, da Fidelity, recebeu US$ 88,1 milhões. O BITB, da Bitwise, captou US$ 41,5 milhões. Já o GBTC, da Grayscale, somou US$ 15,4 milhões.

No curto prazo, a chegada do Bitcoin à faixa dos US$ 92 mil e o forte fluxo institucional nos ETFs reforçam a percepção de que os grandes investidores retomaram a exposição ao ativo. Além disso, o ambiente geopolítico conturbado e o tradicional rebalanceamento de início de ano sustentam a continuidade da demanda pelos produtos ligados ao Bitcoin.