Dólar perde força e amplia vantagem para ouro e cripto
Ray Dalio, em análise recente, afirmou que o dólar dos Estados Unidos atravessa um período de enfraquecimento estrutural. Segundo ele, esse movimento ocorre diante da valorização do ouro e de outras moedas consideradas mais sólidas pelos investidores globais.
O gestor ressaltou que o dólar já caiu 39 por cento frente ao ouro, além de perder terreno para o euro e o franco suíço. Ele destacou que o ouro acumulou retorno de 65 por cento em termos de US$, superando amplamente o S&P 500 no mesmo período.
Dalio também observou que o índice norte-americano apresentou queda de 28 por cento quando medido em ouro. Enquanto isso, ações europeias e chinesas avançaram de forma mais consistente. Para ele, essa diferença mostra uma realocação relevante de valor e riqueza para fora dos Estados Unidos.
Tensões fiscais ampliam pressão sobre a moeda
O enfraquecimento do dólar se conecta diretamente aos desequilíbrios fiscais acumulados ao longo dos últimos anos. Dalio alertou que quase US$ 10 trilhões em dívidas precisam ser rolados, em um momento em que o Federal Reserve reduz juros reais. Assim, os títulos de longo prazo se tornam menos atrativos.
Ele projeta ainda que a curva de juros continuará inclinando, já que os mercados exigem prêmios maiores para carregar dívidas extensas. Além disso, políticas recentes do governo Trump, focadas em incentivos industriais e redução de regulações, aumentaram pressões fiscais e desigualdades. Para Dalio, esses fatores elevam riscos para a moeda norte-americana.
O investidor afirmou que a mudança para uma postura internacional mais unilateral intensificou tensões geopolíticas em 2025. Esse ambiente estimulou o uso de sanções econômicas, medidas protecionistas e movimentos de desglobalização. Portanto, a busca por ouro como proteção aumentou de forma consistente.
Curva de juros afeta crédito e valuations
Segundo analistas da Bitfinex, o mercado de títulos dos Estados Unidos entrou em 2026 com a curva mais inclinada desde 2021. O spread entre títulos de dois e trinta anos alcançou 140 pontos-base. Isso reflete expectativa de cortes no curto prazo combinados à necessidade de maior compensação para lidar com inflação persistente.

Ainda que juros menores de curto prazo ofereçam algum alívio, as taxas longas seguem elevadas. Isso mantém custos de crédito altos para empresas e consumidores. Além disso, limita a expansão dos valuations, principalmente em companhias de crescimento, cujos lucros dependem de projeções futuras.
Esse contexto reacendeu discussões sobre o papel do Bitcoin. Brian Armstrong, CEO da Coinbase, afirmou que o ativo funciona como mecanismo de pressão positiva sobre políticas fiscais dos Estados Unidos. Ele destacou que inflação sem crescimento ameaça o status global da moeda.
Metais fortes atrasam avanços do mercado cripto
A alta recente de ouro e prata redirecionou capital e reduziu o ritmo de avanço de Bitcoin e Ethereum. Segundo o CEO da VALR, Farzam Ehsani, o ouro subiu 69 por cento no último ano, enquanto a prata avançou 161 por cento.
Ehsani apontou que investidores de longo prazo de Bitcoin diminuíram vendas pela primeira vez desde julho. Já o Ethereum registrou fundamentos mais sólidos, com normalização de saques de staking e volume recorde de transações com taxas historicamente baixas.
Para o executivo, o cenário atual lembra um período de calmaria antes de movimentos mais amplos no setor. Quando o impulso nos metais perder intensidade, Bitcoin poderá avançar para níveis maiores. Além disso, Ehsani projeta que o ativo pode alcançar US$ 130 mil no primeiro trimestre de 2026. O Ethereum, por sua vez, pode buscar a faixa de US$ 4.500.

Fonte: TradingView
No momento, o Bitcoin opera pouco acima de US$ 91 mil, registrando leve queda diária. O movimento está ligado aos fluxos fortes para metais, à curva de juros inclinada e ao enfraquecimento estrutural do dólar, fatores que influenciam o mercado global no curto prazo.