Líder de megafraude com Bitcoin é preso no Camboja

Prisão no Camboja expõe megarede de golpes com Bitcoin

O empresário cambojano Chen Zhi, acusado de comandar uma das maiores redes globais de fraudes com Bitcoin, foi detido no Camboja e extraditado para a China após meses de investigações internacionais. A operação encerrou um esquema que, segundo autoridades, movimentou bilhões em criptoativos desviados de vítimas em vários países.

Zhi presidia o Prince Holding Group, conglomerado que, conforme informações obtidas por órgãos americanos, funcionava como base para operações fraudulentas. Em outubro, o Departamento de Justiça dos EUA apresentou acusações formais de conspiração para fraude eletrônica e lavagem de dinheiro. O caso foi detalhado pelo Wall Street Journal.

Segundo as autoridades, os complexos ligados a Zhi mantinham trabalhadores traficados e obrigados a participar de golpes de pig butchering. Esses golpes exploram confiança e proximidade emocional para induzir vítimas a investir grandes quantias antes de terem seus fundos desviados. Além disso, investigações indicam que o grupo operava de forma estruturada para ocultar rastros financeiros.

Departamento de Justiça detalha impacto financeiro

As apurações revelaram que a rede de Zhi acumulou 127.271 Bitcoins provenientes de fraudes, total avaliado em aproximadamente US$ 11,6 bilhões, cerca de R$ 62 bilhões. Esse montante estava sob posse dos criminosos até ser apreendido pelo governo dos EUA. Documentação oficial do órgão, afirma que esta se trata da maior ação civil de apreensão já conduzida pelo país.

O Prince Group foi classificado como organização criminosa transnacional. Informações oficiais apontam que Zhi monitorava pessoalmente cada operação, mantendo registros detalhados e orientando colaboradores a usar criptomoedas para dificultar rastreamento. Portanto, a atuação do grupo se desenvolvia com alto grau de organização e complexidade.

Relatórios também revelam que parte dos valores desviados financiou viagens de luxo, compras extravagantes e itens raros, incluindo uma pintura de Pablo Picasso. No entanto, a estrutura do esquema dependia de centenas de trabalhadores traficados, que eram obrigados a atuar nos golpes, compondo a base operacional da rede.

Fraudes com cripto seguem em expansão global

Embora o caso envolvendo Zhi represente quase US$ 12 bilhões em fundos ilícitos apreendidos, análises recentes da Chainalysis mostram que o volume total de criptoativos mantidos em carteiras ligadas a crimes supera US$ 75 bilhões. Além disso, entidades ilegais possuíam cerca de US$ 15 bilhões em julho do último ano, número que cresceu mais de 300% desde 2020.

Assim, a prisão de Zhi evidencia como golpes ainda se aproveitam do Bitcoin para movimentar grandes quantias com relativa facilidade. Autoridades afirmam que o esforço internacional para desmantelar tais redes tem aumentado, buscando impedir novos fluxos de capitais ilícitos.

Portanto, a extradição do empresário e a apreensão dos Bitcoins representam um marco importante na tentativa global de conter fraudes envolvendo criptoativos. O caso reforça a necessidade de monitoramento contínuo e cooperação entre países para combater crimes financeiros em larga escala.