Bitcoin recua a US$ 90 mil e mercado avalia sinais de recuperação

O Bitcoin iniciou esta quinta-feira operando em queda e sendo negociado a US$ 90.040 no cenário global. No Brasil, o ativo aparece por volta de R$ 485.874, de acordo com dados do Portal do Bitcoin. A oscilação reflete um ambiente de cautela, embora analistas enxerguem fatores que podem abrir espaço para uma recuperação gradual nas próximas semanas.

Cenário aponta novos gatilhos para retomada do mercado

Segundo Matthew Hougan, diretor de investimentos da Bitwise, três elementos podem fortalecer o desempenho do Bitcoin: maior estabilidade no mercado de cripto, comportamento neutro do mercado acionário e avanços regulatórios nos Estados Unidos. O executivo afirma que, se esses pontos avançarem de forma coordenada, o ativo poderá retomar níveis observados antes da forte liquidação ocorrida no fim de 2025. Hougan destacou esses fatores em análise pública recente.

Estabilidade após a maior liquidação do setor

O primeiro ponto envolve o retorno da estabilidade ao mercado de cripto. Hougan relembra a liquidação de 10 de outubro, considerada a maior já registrada, que retirou US$ 19,3 bilhões do setor em poucas horas. O episódio gerou receio entre investidores e pressionou o desempenho das principais criptomoedas durante os meses seguintes.

No entanto, a diminuição do medo de novas liquidações abre espaço para avanços sustentáveis. Assim, a reconstrução da confiança pode impulsionar negociações mais consistentes, desde que outros fatores também cooperem.

Além disso, o comportamento do mercado acionário aparece como um ponto crucial. Hougan avalia que uma correção acentuada nos índices norte-americanos, como uma queda de 20% no S&P 500, poderia aumentar a aversão ao risco e impactar o Bitcoin no curto prazo. Ryan Yoon, da Tiger Research, concorda e afirma que um ambiente neutro, sem grandes movimentos, tende a estimular investidores a buscar alternativas rentáveis.

Avanço regulatório nos EUA e influência do Clarity Act

O terceiro elemento citado por Hougan envolve o avanço regulatório. O Clarity Act, projeto que busca estabelecer regras mais claras para o mercado de cripto nos Estados Unidos, segue em análise no Senado e pode avançar até 15 de janeiro, segundo David Sacks, responsável pela pauta de cripto na Casa Branca.

Marco regulatório pode redefinir o posicionamento institucional

Para Hougan, a aprovação do texto consolidaria princípios essenciais e reduziria incertezas sobre mudanças regulatórias futuras. Sem regras estáveis, afirma ele, a postura favorável observada atualmente pode enfrentar mudanças dependendo do governo em exercício.

Assim, a construção de um ambiente regulatório previsível tende a fortalecer a atratividade do Bitcoin para instituições e investidores de longo prazo.

De acordo com Tim Sun, pesquisador do HashKey Group, o curto prazo deve permanecer volátil, influenciado por eventos políticos e fiscais nos Estados Unidos. No médio prazo, porém, a entrada de capital institucional, especialmente por meio de ETFs de Bitcoin à vista, pode fortalecer o ativo.

Sun afirma ainda que a consolidação regulatória reforça o papel do Bitcoin como proteção contra inflação. Já Yoon observa que um novo caso de uso pode reacender o interesse do público e a busca por projetos mais antigos que buscam relevância prática.

Com o Bitcoin oscilando próximo de US$ 90 mil, investidores acompanham atentamente os três fatores citados por Hougan. Portanto, a estabilidade do setor, o equilíbrio do mercado acionário e o avanço do Clarity Act podem definir o comportamento do ativo no curto prazo e orientar sua trajetória no início de 2026.