Bitcoin cai em meio ao debate sobre juros nos EUA

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reforçou  nesta quinta-feira seu pedido por cortes mais rápidos nos juros, afirmando que a redução das taxas é o principal elemento que falta para impulsionar o crescimento econômico do país. O posicionamento surge antes de seu discurso programado em Minnesota e acompanha novos dados sobre o mercado de trabalho norte-americano.

As solicitações semanais de seguro-desemprego atingiram 208 mil na semana encerrada em 3 de janeiro, número levemente melhor que as 210 mil esperadas. Além disso, Bessent declarou que a flexibilização monetária poderia beneficiar diretamente as famílias, estimulando a economia de forma mais ampla.

“Cortar as taxas de juros terá impacto concreto na vida de cada morador de Minnesota. É o único ingrediente que falta para um crescimento econômico ainda mais forte, por isso o Fed não deve esperar”, afirmou.

Segundo ele, políticas monetárias mais brandas complementariam a agenda econômica defendida pelo presidente Donald Trump, especialmente após medidas recentes de desregulamentação e realinhamento comercial.

A seguir, uma publicação relacionada divulgada no X:

Treasury Secretary Rate Cuts - Claims Charts
Fonte: DOL

Mercado reage aos dados econômicos

Os indicadores trabalhistas mostram que o mercado segue resiliente. A média móvel de quatro semanas caiu para 211.750, seu nível mais baixo desde abril de 2024. Já o desemprego segurado permaneceu em 1,2% até 27 de dezembro, enquanto os pedidos contínuos subiram para 1.914.000.

Alguns estados registraram variações mais intensas. Nova Jersey teve alta de 6.871 solicitações iniciais, seguida pela Pensilvânia. No entanto, o Texas liderou a queda semanal, com redução de 7.951 pedidos, acompanhado pela Califórnia.

Mesmo após três cortes consecutivos de juros em 2025, que reduziram a taxa básica para a faixa entre 3,5 e 3,75%, o mercado agora aponta para um ritmo mais lento em 2026. Estimativas recentes do Federal Reserve indicam apenas um possível corte ao longo do ano.

Esse cenário ocorre próximo ao fim do mandato de Jerome Powell, previsto para maio, e ao processo de seleção de um novo presidente para o Fed, cuja lista foi reduzida a cinco nomes.

Debate interno sobre a trajetória dos juros

O presidente do Federal Reserve de Minneapolis, Neel Kashkari, disse que a política monetária está próxima do nível neutro, sugerindo pouco espaço para cortes adicionais. Além disso, ele ressaltou que será necessário mais tempo para avaliar qual fator, inflação ou mercado de trabalho, exercerá maior influência.

“Meu palpite é que estamos muito próximos do neutro agora. Precisamos de mais dados para saber qual força será dominante.”

Kashkari observou ainda que, mesmo com o desemprego em 4,6%, persistem riscos ligados à inflação, especialmente após os efeitos prolongados das tarifas recentes. Ele afirmou que grandes empresas estão reduzindo contratações devido ao avanço da inteligência artificial, embora obtenham ganhos de produtividade.

Por outro lado, Stephen Miran, governador do Fed até o fim de janeiro, defende cortes mais agressivos acima de 100 pontos-base em 2026. Segundo ele, a política atual limita o desempenho da economia. Além disso, Miran argumenta que a inflação subjacente já está alinhada com a meta de 2%.

Bitcoin recua com incertezas monetárias

O Bitcoin recuou para a faixa dos US$ 90 mil nesta quinta-feira, refletindo a cautela dos investidores diante das incertezas sobre juros e dos dados sólidos de emprego. O mercado cripto caiu quase 2%, enquanto o ouro avançou no mesmo período.

Bitcoin Price Chart
Fonte: TradingView

Em análise recente, Ray Dalio destacou que a desvalorização cambial pode distorcer a percepção de retornos, lembrando que o ouro superou o S&P 500 em 2025. Além disso, Kurt Hemecker, CEO da Gold Token S.A., afirmou que Bitcoin e ouro costumam reagir de forma distinta a choques macroeconômicos, algo que também aparece nos movimentos atuais.

No curto prazo, declarações de autoridades do Fed e novos dados trabalhistas continuam influenciando os mercados, com o Bitcoin reagindo à incerteza sobre juros e o ouro ganhando força como alternativa mais segura.