EUA podem iniciar compras de Bitcoin em 2026
A investidora Cathie Wood reacendeu o debate sobre a possibilidade de os Estados Unidos comprarem Bitcoin como parte de uma estratégia nacional. Segundo ela, o governo do presidente Donald Trump avalia ampliar o papel do ativo em sua agenda política e econômica.
Wood afirmou que a discussão ganhou força com o crescimento do engajamento do setor de cripto entre eleitores e grandes doadores. Além disso, ela destacou que essa influência reforça incentivos para que o governo considere compras diretas de BTC, indo além da manutenção do saldo confiscado em operações criminais.
Pressão política pode acelerar decisão do governo
Durante participação no podcast Bitcoin Brainstorm, da ARK, Wood explicou que Trump tem buscado aproximação constante com empresas e líderes do setor. Assim, ações públicas e políticas voltadas para cripto tornaram-se parte da estratégia do governo para ampliar apoio político e evitar a percepção de fragilidade no segundo mandato.
“Ele não quer ser visto como um presidente sem influência. Quer mais um ou dois anos produtivos, e acredita que o setor de cripto representa um caminho para o futuro”, disse Wood.
Segundo a investidora, a criação de uma reserva nacional de Bitcoin logo no início do mandato marcou uma mudança relevante. O governo também estruturou um grupo de trabalho interagências liderado por David Sacks, encarregado de desenvolver diretrizes para ativos digitais e inteligência artificial. Esse grupo passou a definir bases regulatórias e estratégicas para a atuação federal no setor.
Entraves orçamentários retardam compras diretas
Embora a ordem executiva que criou a reserva mencione a intenção de alcançar até 1 milhão de BTC, Wood lembra que o governo ainda não iniciou compras no mercado aberto.
“Parece haver certa relutância em comprar bitcoins para a reserva estratégica”, disse Wood. “Até agora, eles confiscaram [bitcoins].” Essa postura, sugeriu ela , pode não durar. “A intenção original era possuir um milhão de bitcoins, então eu realmente acho que eles começarão a comprar.”
O relatório do grupo de trabalho, liderado por Sacks, reforçou que todas as reservas seriam administradas pelo Departamento do Tesouro. Além disso, o documento destacou a necessidade de uma estratégia financeira que não aumente gastos públicos. Esse ponto se tornou central nas discussões internas sobre compras diretas.
Wood argumenta que, mesmo com restrições, a evolução regulatória recente abre espaço para avanços significativos antes do fim da gestão atual. Como quase todo o suprimento de Bitcoin já foi minerado, compras governamentais poderiam gerar impacto expressivo no mercado, que opera com oferta limitada.
Setor de cripto aumenta pressão por avanços
O fortalecimento político da indústria também tem influenciado o debate. Empresas, executivos e organizações ampliaram doações, eventos e diálogos públicos com o governo. Além disso, nomes como Coinbase, Tether e Ripple participaram de iniciativas estratégicas na Casa Branca, reforçando a aproximação institucional.
Wood avalia que essa movimentação cria incentivos adicionais para o governo demonstrar comprometimento concreto. Assim, uma eventual decisão de iniciar compras diretas de Bitcoin poderia representar um marco, indicando alinhamento entre política, regulação e estratégia nacional.
Para ela, o tema continuará no centro das discussões nos próximos meses. A proximidade das eleições legislativas aumenta a pressão por resultados e acelera debates internos sobre o futuro da reserva de Bitcoin dos EUA.