Debate nos EUA cresce sobre proibição em mercados de previsão

O debate sobre o uso de mercados de previsão por autoridades ganhou força em Washington após novas críticas e a apresentação de um projeto de lei que busca restringir esse tipo de participação. A iniciativa surgiu depois de um caso envolvendo a Polymarket, que reacendeu preocupações sobre possíveis abusos e vantagens financeiras obtidas por quem tem acesso a informações privilegiadas.

O chamado Ato de Integridade Pública em Mercados de Previsão Financeira de 2026 foi apresentado pelo deputado Ritchie Torres (D-NY), com apoio de mais de 30 membros da Câmara dos EUA, incluindo Nancy Pelosi. O objetivo é impedir que congressistas, assessores e funcionários federais participem de plataformas que operam com previsões sobre eventos políticos e econômicos, alegando risco de manipulação e enriquecimento indevido.

O texto compara esses mercados às regras existentes no setor financeiro tradicional, que proíbem executivos e pessoas com acesso a informações sensíveis de negociar ativos suscetíveis à influência direta. Além disso, parlamentares afirmam que autoridades com acesso a dados relevantes e não públicos podem interferir nos resultados negociados nessas plataformas.

Atualmente, empresas como Polymarket e Kalshi operam sob regulação da CFTC, responsável por supervisionar mercados futuros nos EUA. No entanto, segundo críticos, a estrutura atual não cobre cenários em que agentes públicos podem influenciar diretamente os eventos analisados nesses mercados.

Plataformas de previsão entram no centro da polêmica

A discussão ganhou novo fôlego após a divulgação de uma operação que levantou suspeitas sobre possível acesso antecipado a informações sigilosas. Um trader da Polymarket lucrou mais de US$ 400 mil ao apostar que Nicolás Maduro seria removido do cargo antes do fim do mês. A aposta ocorreu poucas horas antes da prisão do presidente venezuelano por forças especiais dos EUA.

O caso provocou forte reação de Torres, que classificou o ambiente como extremamente vulnerável à corrupção. Para ele, a combinação entre plataformas de previsão e funcionários do governo cria incentivos perigosos, já que pessoas com acesso privilegiado podem lucrar com decisões internas.

Críticas no Congresso aumentam pressão por regras rígidas

Outro parlamentar que reforçou as críticas foi o senador Chris Murphy (D-CT). Ele destacou um episódio em que usuários lucraram ao prever a duração exata de uma coletiva de imprensa da Casa Branca. Um vídeo compartilhado por Murphy mostra o evento terminando instantes antes do limite estimado no mercado, o que levantou dúvidas sobre possível influência interna.

Murphy afirmou que permitir a operação de autoridades ou pessoas próximas ao governo nesses mercados cria incentivos perigosos. Segundo ele, a preocupação não está no tipo de aposta, mas no risco de manipulação de decisões públicas para obtenção de lucro.

Quem se importa com a duração de uma coletiva de imprensa? Mas deveríamos nos preocupar com mercados que incentivam pessoas com poder a mudar resultados para gerar lucro.

Com o avanço do projeto, a discussão sobre o futuro dos mercados de previsão segue aberta. Além disso, o caso envolvendo a aposta ligada à prisão de Maduro intensificou a pressão por regulamentações mais rígidas. Assim, parlamentares defendem medidas urgentes para evitar que agentes públicos influenciem eventos negociados nessas plataformas, reforçando o cenário de incerteza para empresas do setor.