Coinbase ajusta posição sobre Clarity Act após críticas
A Coinbase iniciou uma revisão pública de sua posição sobre o Clarity Act, projeto em análise no Senado dos EUA que define novas regras para o mercado de ativos digitais. A mudança ocorre após críticas envolvendo possíveis limites às recompensas de stablecoins previstas no Genius Act, ponto que preocupa empresas do setor.
A empresa afirmou que não apoia uma proibição ampla dessas recompensas. Além disso, reforçou que o foco deveria estar em regras mais robustas de transparência, evitando medidas que reduzam o acesso dos usuários a serviços essenciais no ecossistema cripto. Assim, a empresa tenta afastar temores de que o texto atual possa prejudicar a competitividade americana no setor.
A pressão cresce com o posicionamento da American Bankers Association (ABA). A entidade argumenta que recompensas de stablecoins poderiam desviar depósitos garantidos pelo Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC), impactando a oferta de crédito para pequenos negócios. No entanto, as críticas têm provocado forte reação por parte da indústria.
Segundo a Coinbase, restringir recompensas favoreceria emissores estrangeiros e aceleraria a fuga de liquidez para fora do mercado norte-americano. Além disso, a empresa alerta que países como a China avançam de forma agressiva no desenvolvimento de stablecoins, o que intensifica o risco competitivo.
“O Congresso não pode ceder aos grandes bancos e retirar a estrutura de recompensas do Genius Act. As recompensas ampliam a concorrência e a escolha do usuário. Revogar isso reduziria opções para consumidores e beneficiaria emissores estrangeiros e moedas digitais estatais”, afirmou David McIntosh, cofundador da Federalist Society, em declaração publicada em X.
Debate no Senado intensifica pressão regulatória
A Coinbase afirma ter registrado resultados relevantes ao dividir recompensas de stablecoins com seus usuários, principalmente por meio de parcerias com emissores como a Circle Internet. Portanto, qualquer tentativa de limitar esse modelo mobiliza não apenas a empresa, mas também investidores e parceiros.
A companhia já destinou mais de US$ 45 milhões ao super PAC Fairshake. Além disso, pretende ampliar esse investimento antes das eleições legislativas de 2026, reforçando o papel estratégico da regulamentação para o setor cripto e para o ambiente de inovação nos EUA.
Discussões avançam em comitês do Senado
O texto deve ser analisado pela Comissão de Bancos do Senado em 15 de janeiro. O comitê trabalha em alinhamento com o governo do presidente Donald Trump, enquanto David Sachs, responsável pela pauta cripto na Casa Branca, afirma que o Clarity Act conta com apoio bipartidário.

Impacto previsto no mercado de ativos digitais
Para Charles Hoskinson, fundador da Cardano, a aprovação do Clarity Act ainda no primeiro trimestre pode impulsionar um novo ciclo de alta. No entanto, ele criticou a demora e pediu a renúncia de David Sachs, além de afirmar que o mercado teria recuado cerca de 50% desde o início do mandato de Trump.
Setor vê riscos de atraso regulatório
Se aprovado no Senado, o projeto seguirá para votação na Câmara, o que pode gerar novos atrasos. Além disso, a ameaça da Coinbase de retirar seu apoio caso certas cláusulas permaneçam inalteradas cria incertezas e pressiona parlamentares a revisarem pontos sensíveis do texto.
O avanço das discussões do Clarity Act, somado à resistência da Coinbase a restrições sobre recompensas de stablecoins, mostra como a legislação pode redefinir a competitividade do setor nos EUA. Portanto, o desfecho dessas negociações será decisivo para empresas americanas e para a dinâmica regulatória no curto prazo.