Paradox é citada em esquema global de drogas ilegais
A investigação do The Guardian expôs novas ligações entre o projeto cripto Paradox e uma das maiores operações ilegais de medicamentos para emagrecimento já identificadas. Além disso, o caso ampliou alertas sobre crimes envolvendo cripto e estimulou ações de fiscalização no Reino Unido.
Em outubro, agentes invadiram um galpão de tijolos vermelhos em Northampton e apreenderam milhares de canetas Alluvi sem licença. O local armazenava substâncias químicas, equipamentos de fabricação e cerca de £20 mil em dinheiro vivo. Algumas canetas possuíam retatrutida, agonista de GLP-1 ainda em testes clínicos e proibido para uso.
Mesmo com a complexidade da operação, nenhuma prisão foi efetuada. O MHRA também não identificou publicamente os responsáveis. Documentos analisados mostram que o galpão está ligado à empresa Wholesale Supplements Limited, que possui Fasial Tariq, criador da Paradox, como diretor.
Conexões entre Paradox e venda de medicamentos ilegais
Registros consultados pelo The Guardian indicam que os produtos Alluvi eram comercializados pela plataforma Ecommerce Nutri Collectiv. A empresa perdeu acesso ao sistema de pagamentos quando a Stripe encerrou o serviço. Além disso, dados oficiais revelam que a Nutri Collectiv já compartilhou endereço com outra empresa de Tariq.
No rodapé do site da Nutri Collectiv, o nome comercial encaminhava usuários para a Paradox Labs, anteriormente Paradox Studio. Esse empreendimento de cripto lançou o Paradox Coin e o jogo Paradox Metaverse, criticado por suposta semelhança com golpe financeiro.
O investigador Stephen Findeisen, conhecido como Coffeezilla, confrontou Tariq em uma entrevista no YouTube . Ele questionou a sustentabilidade do modelo play-to-earn, no entanto, Tariq negou qualquer promessa de enriquecimento rápido.
Imagens luxuosas e histórico pessoal
Publicações nas redes sociais associadas à Alluvi exibiam um Lamborghini Huracán Spyder verde. Moradores relataram que carros de luxo, incluindo um Rolls-Royce, eram vistos com frequência no galpão invadido. Tariq também já administrou a empresa Onyx, especializada em aluguel de veículos de alto padrão.
Seu histórico de direção inclui um episódio de 2018, quando ele recebeu multa de £1.185 e suspensão de 12 meses por não informar quem dirigia um BMW flagrado acima de 217 km/h. Dias antes, ele havia recuperado a habilitação após condenações por dirigir alcoolizado e sem permissão válida.
Aumento da pressão global contra crimes envolvendo cripto
Uma fonte do The Guardian descreveu os operadores do esquema da Alluvi como agressivos e chamativos. Assim, o caso se tornou parte de um padrão crescente de uso criminoso de ativos digitais.
Em novembro, o Serious Fraud Office prendeu dois homens ligados ao colapso de US$ 28 milhões da Basis Markets, que desviou fundos para carteiras dos fundadores. Casos semelhantes incluem britânicos condenados por administrar uma rede de drogas no mercado oculto usando cripto e uma operação australiana que gerou 55 prisões e apreensão de mais de US$ 37,9 milhões.
Especialistas alertam que a retatrutida carrega riscos elevados. Por conseguinte, ela pode provocar infecções graves, pancreatite e alterações perigosas na glicemia.
Apesar das evidências, o MHRA afirmou que nenhuma prisão foi realizada, entretanto,não comentou sobre Tariq, alegando investigações em andamento. Enquanto isso, o site da Alluvi segue ativo, alegando indisponibilidade dos produtos devido à alta demanda. Além disso, o canal oficial no Telegram permanece funcional, reunindo milhares de usuários que relatam pedidos diários.
As revelações envolvendo a Paradox, decerto, reforçam a pressão internacional contra redes criminosas que utilizam cripto em esquemas de lavagem de dinheiro, golpistas e tráfico. Portanto, autoridades intensificam parcerias e sanções para conter esses crimes e reduzir riscos à população.