Saylor reage a críticas e reforça tese sobre Bitcoin

O debate sobre Bitcoin ganhou força após uma entrevista em que Michael Saylor contestou críticas sobre empresas que adotam o ativo como parte da tesouraria. O executivo reagiu quando o entrevistador levantou dúvidas sobre companhias que emitem dívidas ou ações apenas para comprar Bitcoin, sem demonstrarem modelos de negócios sólidos. Apesar disso, Saylor afirmou que essa percepção ignora que a maioria das empresas no mundo não possui qualquer exposição à criptomoeda.

Durante a entrevista, o executivo destacou que o foco excessivo em poucas empresas compradoras de Bitcoin distorce a análise. Segundo ele, muitas organizações continuam operando no negativo sem qualquer ligação com cripto, e isso raramente vira pauta.

Debate sobre estratégias corporativas com Bitcoin

O entrevistador ressaltou que a Strategy acumula mais de 650.000 BTC, posição única entre empresas públicas. No entanto, observou que companhias menores focadas na tesouraria vêm registrando forte desvalorização, o que afeta acionistas. Saylor discordou e explicou que cada pessoa ou família define seus próprios níveis de investimento, e o mesmo vale para empresas.

Além disso, ele afirmou que responsabilizar o Bitcoin pela queda dessas empresas ignora problemas estruturais. De acordo com Saylor, companhias que já operavam no prejuízo antes da compra de Bitcoin continuam vulneráveis porque possuem modelos frágeis, não por manterem o ativo.

Comparação entre empresas deficitárias e detentoras de Bitcoin

Saylor argumentou que o verdadeiro risco está em modelos de negócios ruins. Assim, ele defendeu que o Bitcoin serve como ferramenta para equilibrar resultados no longo prazo. Para ilustrar, apresentou um exemplo simples: se uma empresa perde US$ 10 milhões por ano, mas possui US$ 100 milhões em Bitcoin valorizando 30%, o ganho de US$ 30 milhões compensa as perdas operacionais.

Portanto, na visão dele, o Bitcoin reduz riscos, em vez de aumentá-los.

Segundo Saylor, a pergunta correta seria entender por que companhias sem Bitcoin continuam captando dinheiro mesmo apresentando resultados negativos e sem perspectivas de crescimento.

Recompras de ações e caixa parado são alternativas piores

O executivo também criticou práticas comuns, como recompras de ações. Para ele, recomprar papéis de uma empresa deficitária acelera o declínio do negócio. Além disso, manter caixa em títulos de baixo rendimento apenas limita prejuízos, mas não melhora o panorama financeiro.

Dessa forma, Saylor reforçou que o Bitcoin é a única alternativa capaz de superar perdas no longo prazo, oferecendo chance real de valorização.

Críticas dentro da comunidade cripto aumentam

A discussão se ampliou quando o entrevistador observou que empresas menores de tesouraria sofrem desvalorização intensa. Saylor declarou que isso ocorre porque essas companhias já estavam fragilizadas. Segundo ele, o Bitcoin, na verdade, reduz parte do impacto financeiro ao oferecer potencial de ganhos, diferente do caixa parado em títulos tradicionais.

O executivo também criticou membros da comunidade cripto que atacam empresas que possuem Bitcoin, enquanto ignoram companhias convencionais que continuam queimando caixa sem apresentar avanços.

O avanço da Strategy na acumulação de Bitcoin

A Strategy iniciou sua estratégia em 2020, ao investir US$ 250 milhões na compra de mais de 21.000 BTC. Meses depois, ampliou a posição utilizando recursos de notas conversíveis, encerrando o ano com mais de 70.000 BTC.

Fonte: Strategy

A empresa continuou acumulando Bitcoin nos anos seguintes por meio de emissões de ações e financiamentos. Em março de 2025, superou 500.000 BTC. Já em 2026, ultrapassou 680.000 BTC sob a liderança de Saylor.

Assim, a entrevista reforçou como o Bitcoin permanece no centro das discussões sobre tesouraria corporativa. Na visão de Saylor, o ativo segue sendo essencial para fortalecer balanços em ambientes de instabilidade operacional.