Bitcoin recuou em 2025 por falta de liquidez, diz Hayes
O Bitcoin enfrentou forte pressão em 2025, segundo Arthur Hayes, devido ao aperto de liquidez global em dólar. O executivo argumenta que o movimento não refletiu perda de interesse pela criptomoeda, mas sim um choque momentâneo no fluxo financeiro internacional. Além disso, ele ressalta que a recuperação pode ganhar força em 2026 se a base monetária dos Estados Unidos voltar a crescer.
Hayes apresentou sua análise no artigo Frowny Cloud, no qual destacou que o Bitcoin reage diretamente à desvalorização das moedas fiduciárias. O especialista afirmou que, durante 2025, as condições de crédito mais rígidas pressionaram o preço, que caiu 14,4%. Enquanto isso, o capital migrou para o ouro e para ações ligadas à inteligência artificial. Segundo ele, esse movimento refletiu apenas uma realocação causada pela política monetária restritiva.
Liquidez global e impacto no desempenho do Bitcoin
O executivo destacou que o Bitcoin deve retomar sua trajetória de alta quando houver expansão da oferta de dólares. Ele acredita que isso pode ocorrer por meio da ampliação do balanço do Federal Reserve, da queda nas taxas de hipoteca e de estímulos ao crédito bancário. Além disso, Hayes comentou que gastos militares e financiamentos destinados a setores estratégicos podem acelerar esse ciclo.
No período analisado, o Bitcoin era negociado próximo de US$ 96.400, após ter alcançado brevemente US$ 97.700 antes de recuar. Hayes vê US$ 110.000 como nível decisivo para mudança no comportamento dos investidores. Acima desse patamar, ele prevê maior interesse em ações que funcionam como proxies alavancadas da criptomoeda.
Ações sensíveis ao preço do Bitcoin
Entre os ativos citados por Hayes, Strategy e Metaplanet ganharam destaque devido ao acúmulo de reservas em Bitcoin. O executivo acompanha a relação entre o valor de mercado dessas empresas e o preço do BTC tanto em dólar quanto em iene. De acordo com ele, esses índices operavam próximos das mínimas de dois anos após fortes altas registradas em meados de 2025. Além disso, Hayes observou que, em ciclos positivos, essas companhias tendem a superar o próprio Bitcoin graças ao efeito de alavancagem corporativa.
Mesmo assim, o especialista afirmou que evita operações com futuros e opções no momento. Ele avalia que o cenário permanece volátil, portanto prefere manter exposição em ativos com fundamentos mais previsíveis dentro do atual contexto macroeconômico.
Influência da política econômica no mercado cripto
Hayes acrescentou que a queda do Bitcoin no final de 2025 derivou diretamente do encolhimento da liquidez em dólar. O ex-CEO da BitMEX rejeita a ideia de que a criptomoeda tenha perdido relevância. Para ele, a retração refletiu apenas um choque temporário provocado pelo redirecionamento de capital para setores estimulados por políticas governamentais.
Segundo o analista, decisões públicas ligadas à inteligência artificial distorceram os sinais naturais de mercado. Ele observou que muitos investimentos foram destinados a empresas de tecnologia mesmo com menor aderência a métricas tradicionais de retorno. Assim, acredita que o desempenho entre tecnologia e cripto deve se equilibrar quando o ambiente de liquidez voltar a se ampliar.
Hayes também comentou seu interesse contínuo por Zcash. Ele avaliou que a saída de desenvolvedores da Electric Coin Company não representa risco significativo, pois abre caminho para novos produtos fora de estruturas sem fins lucrativos. Além disso, afirmou que o recuo recente do ZEC reflete apenas realização por parte de investidores de curto prazo.
Em sua análise, o especialista reforçou que a trajetória do Bitcoin em 2025 esteve ligada ao aperto monetário e ao desvio de capital para setores priorizados pelo governo. Ele acredita que a recuperação em 2026 depende de expansão da oferta de dólares, aumento do crédito e mudanças na orientação econômica dos Estados Unidos. Essas perspectivas, segundo Hayes, podem impulsionar nova fase de valorização.