NCAA pede suspensão imediata dos mercados esportivos
A NCAA ampliou a pressão sobre a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA ao solicitar a suspensão dos mercados de previsão relacionados ao esporte universitário. A entidade afirmou que esse avanço rápido ameaça a segurança dos estudantes-atletas e compromete a integridade das competições. Além disso, os mercados já movimentam cerca de US$ 320 milhões, refletindo a expansão das plataformas que operam fora do modelo tradicional das apostas esportivas regulamentadas.
Expansão dos mercados e alerta sobre riscos regulatórios
Em 14 de janeiro de 2026, o presidente da NCAA, Charlie Baker, enviou uma carta ao presidente da CFTC, Michael Selig, pedindo que interrompa as negociações envolvendo esportes universitários até que novas proteções sejam implementadas. 
Fonte: NCAA
Segundo Baker, plataformas de previsão se apresentam como produtos financeiros. No entanto, muitas já funcionam de forma semelhante às casas de apostas, oferecendo mercados como moneyline, spreads e totais sob um regime regulatório mais leve. Assim, a preocupação cresceu com o avanço dessas operações.
Dados da Dune Analytics disponíveis em mostram que o setor registrou volume recorde diário de US$ 701,7 milhões em 12 de janeiro, impulsionado pela participação crescente dos mercados esportivos.

Fonte: Dune Analytics
Além disso, plataformas como Kalshi e Polymarket movimentaram dezenas de bilhões de dólares em 2025, com grande parte do volume concentrada em mercados esportivos. Esse avanço atraiu instituições, mas também ampliou preocupações regulatórias.
Preocupações envolvendo estudantes e impacto acadêmico
A NCAA destacou que a segurança dos estudantes é o ponto central. Diferente das apostas esportivas tradicionais, limitadas a maiores de 21 anos, alguns mercados de previsão aceitam usuários a partir de 18 anos. Pesquisas internas indicam que 58 por cento dos jovens entre 18 e 22 anos já participaram de apostas esportivas, relatando impactos acadêmicos, financeiros e emocionais. Portanto, a entidade teme o aumento desse comportamento.
Outro problema apontado envolve falhas nas regras de publicidade. Restrições aplicadas às casas de apostas não se aplicam de forma consistente às plataformas de previsão. Assim, muitos estudantes podem acreditar que esse tipo de negociação funciona como investimento, mesmo com a imprevisibilidade dos resultados esportivos.
Integridade esportiva, assédio e lacunas no monitoramento
Baker afirmou que o monitoramento de integridade ainda é insuficiente. A NCAA fiscaliza mais de 23 mil competições por ano e depende de dados detalhados, como geolocalização dos apostadores, para identificar irregularidades. No entanto, várias plataformas de previsão não são obrigadas a fornecer esse nível de informação, nem a compartilhar alertas com reguladores.
A entidade também citou tentativas recentes de criar mercados ligados ao portal de transferências universitárias, o que pode gerar riscos elevados para os estudantes-atletas sem controles rígidos. Além disso, há relatos persistentes de assédio de apostadores após resultados de jogos. Assim, a NCAA defende que as plataformas adotem políticas claras de banimento para casos de assédio.
Baker acrescentou que faltam mecanismos eficazes de redução de danos. Em alguns estados, parte da receita das casas de apostas financia programas educacionais e de tratamento para jogos de azar em campi universitários. No entanto, esse modelo não é seguido de forma consistente pelos mercados de previsão.
No curto prazo, o posicionamento da NCAA intensifica a pressão sobre reguladores e operadores. A entidade argumentou que o aumento do volume financeiro, somado à falta de controles rígidos, amplia a vulnerabilidade dos estudantes e coloca em risco a integridade das competições universitárias.