BNDES aposta em blockchain, IA e dados de satélite para certificação ambiental

BNDES amplia investimentos em inovação e segurança de dados para certificação de créditos de carbono

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou uma aposta estratégica em tecnologias emergentes como blockchain, inteligência artificial (IA) e dados de satélite para modernizar a certificação de créditos de carbono no Brasil. A iniciativa é parte de um esforço mais amplo para fortalecer a transparência, reduzir custos e adaptar práticas às especificidades dos biomas nacionais, em consonância com legislações ambientais e compromissos climáticos internacionais.

No início de janeiro de 2026, o BNDES lançou o edital FEP Fomento número 01/2026, em parceria com o Ministério da Fazenda e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. O edital prevê até R$ 10 milhões em recursos não reembolsáveis para estudos técnicos voltados à transformação do processo de certificação de créditos de carbono no país. A proposta tem como foco mitigar a dependência de certificadoras estrangeiras e desenvolver metodologias mais alinhadas à realidade dos biomas brasileiros.

Tecnologias integradas na certificação de carbono

O documento oficial do BNDES destaca que uma série de soluções tecnológicas será avaliada no estudo, com destaque para como blockchain, IA e dados de satélite podem ser integrados para tornar a certificação mais eficiente. Entre os mecanismos previstos estão:

  • Blockchain para aumentar a rastreabilidade e segurança dos processos de monitoramento, relato e verificação, reduzindo a necessidade de intermediários e padronizando registros de forma imutável.
  • Inteligência artificial, que pode automatizar análises complexas de dados ambientais e apoiar decisões com maior precisão.
  • Dados de satélite, capazes de oferecer monitoramento contínuo e em grande escala de áreas de florestas e outras coberturas de solo, gerando informações fundamentais para medir mudanças e validar créditos de carbono.

Essa combinação tecnológica representa uma tentativa de criar um ambiente institucional mais robusto, confiável e adaptado às necessidades do mercado de carbono nacional.

Especialistas apontam que o uso de blockchain pode garantir transparência e integridade dos dados, enquanto a IA e os dados de satélite permitem análises de grande volume e precisão, algo essencial para projetos ambientais de grande escala e impacto. Esses avanços podem reduzir custos e ampliar a confiança tanto de investidores quanto de agentes reguladores.

Contexto regulatório e ambiental

O movimento do BNDES ocorre em um momento de intensificação das políticas ambientais globais e brasileiras, incluindo adaptações da Lei nº 15.042, que trata do mercado de créditos de carbono, e do cumprimento de compromissos assumidos no Acordo de Paris. A aposta tecnológica busca respaldar essas diretrizes, promovendo um marco de certificação que seja transparente, escalável e compatível com padrões internacionais.

Ao desenvolver um sistema que integre blockchain, IA e dados geoespaciais, o Brasil pode se posicionar como um modelo global de inovação aplicada à sustentabilidade. Isso pode atrair investimentos estrangeiros, fortalecer a confiabilidade dos créditos de carbono brasileiros e reduzir barreiras técnicas que hoje encarecem ou limitam a participação de pequenos produtores e iniciativas comunitárias.

BNDES e o papel institucional em inovação

A iniciativa faz parte de um movimento mais amplo do BNDES para promover inovação no país. A instituição vem ampliando seu papel como indutora de tecnologias emergentes, apoiando projetos de digitalização, indústria 4.0 e soluções tecnológicas em diversos setores econômicos.

Analogamente , o BNDES está trabalhando na criação de um fundo dedicado a inteligência artificial e data centers, com lançamento previsto para 2026. Por conseguinte, esse fundo terá recursos estimados entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão. Visto que o objetivo é de impulsionar infraestrutura digital e projetos de IA no Brasil.

Além disso, o banco já destinou créditos significativos para empresas que utilizam tecnologias avançadas em seus produtos e serviços. Assim como no caso da Bionexo, que recebeu mais de R$ 23 milhões para projetos de IA e automação no setor de saúde.

Impactos esperados e desafios

A integração de tecnologias de ponta como blockchain, IA e dados satelitais no processo de certificação de créditos de carbono pode trazer múltiplos benefícios:

  • Maior transparência e confiança nos mercados voluntário e regulado;
  • Redução de custos operacionais e de intermediários;
  • Monitoramento contínuo e preciso de áreas de conservação e uso sustentável da terra;
  • Incentivo à participação de atores locais e menores produtores no mercado de carbono.

Por outro lado, a implementação dessas tecnologias também traz desafios. Assim como a necessidade de interoperabilidade entre sistemas, treinamento de pessoal especializado, governança de dados e governança regulatória. A fim de assegurar que as soluções atendam às normas ambientais e financeiras.

Ao propósito, analistas veem a iniciativa como um passo importante para fortalecer o Brasil na fronteira global de inovação sustentável. Ainda mais, diante do crescente interesse por mercados de carbono e soluções de mitigação climática.