Coreia do Sul aprova regras para valores mobiliários tokenizados

A regulamentação de STO na Coreia do Sul avançou após o governo estabelecer uma base legal clara para emissão e negociação de valores mobiliários tokenizados. A decisão fortalece o alinhamento entre o sistema financeiro tradicional e soluções baseadas em blockchain, enquanto moderniza o ecossistema regulatório do país.

Governo estabelece arcabouço para ativos tokenizados

O avanço ocorreu depois que a Assembleia Nacional aprovou mudanças na Lei de Mercados de Capitais e na Lei de Valores Mobiliários Eletrônicos. As alterações classificam os valores mobiliários tokenizados como uma categoria abrangente. Além disso, a definição inclui instrumentos de dívida e de participação societária, o que amplia o escopo desse tipo de emissão.

Durante a sessão plenária de 15 de janeiro, o governo também destacou que a atualização oferece vantagens para contratos de investimento não padronizados. Assim, segmentos como imóveis, obras de arte e pecuária passam a contar com regras menos restritivas para distribuição. Esses mercados enfrentavam limitações rígidas que impediam o avanço de modelos tokenizados.

As novas regras consolidam o uso da tecnologia blockchain pela aplicação do Ato de Valores Mobiliários Eletrônicos. Com isso, emissores qualificados poderão lançar esses ativos seguindo processos regulamentados. Além disso, corretoras passam a negociar valores mobiliários tokenizados como contratos de investimento, o que contribui para o crescimento do setor.

Outros intermediários financeiros também terão permissão para comercializar esses ativos. Portanto, o alcance dos investimentos tokenizados aumenta de forma significativa. Em comunicado, a Comissão de Serviços Financeiros (FSC) afirmou que a decisão cria espaço para avanços estruturais no mercado.

“Esperamos que os valores mobiliários tokenizados permitam a gestão de contas de valores baseada em registros distribuídos e ampliem o uso de contratos inteligentes”, afirmou a FSC. “Também prevemos uma utilização mais ativa de contratos inteligentes na infraestrutura de valores mobiliários apoiada por blockchain.”

Regulação acompanha movimento global pós-2022

O projeto segue agora para o conselho de Estado e, posteriormente, para assinatura presidencial. A expectativa é que as novas leis entrem em vigor em janeiro de 2027. Além disso, haverá um período de preparação de um ano para adaptação do mercado.

A iniciativa acompanha tendências globais, já que diversos governos intensificam esforços regulatórios no setor de cripto. No entanto, o debate atual não discute mais a necessidade de regulação, mas sim o nível de rigor necessário. Esse cenário ganhou força após eventos marcantes de 2022, como o colapso do ecossistema Terra Luna.

O país também se prepara para lançar ETFs de cripto à vista como parte da Estratégia de Crescimento Econômico de 2026. O governo baseou essa decisão no desempenho dos ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos e em Hong Kong. Além disso, esse movimento contribui para a expansão de produtos financeiros ligados ao mercado digital.

As medidas aprovadas representam um passo decisivo para modernizar o sistema financeiro sul-coreano. Emissores e intermediários passam a operar com regras claras, o que fortalece a segurança jurídica. A combinação entre o novo marco regulatório e o futuro lançamento de ETFs à vista reforça a adaptação imediata do país às tendências internacionais.

A Coreia do Sul impulsionou esse avanço quando aprovou oficialmente as alterações, consolidando sua posição como um dos mercados mais preparados para integrar ativos tokenizados ao sistema financeiro.