Ethereum integra provas zkEVM para validar blocos no L1
O Ethereum avança em um plano técnico que prepara a rede para validar blocos com provas zkEVM na camada principal. A iniciativa reduz a necessidade de reexecução completa de transações pelos validadores e cria um sistema mais eficiente. A fundação divulgou o roteiro em 15 de janeiro, destacando novos fluxos de engenharia, padrões de prova e práticas de segurança que sustentam essa evolução.
Atualmente, cada bloco é validado com reexecução integral das transações. No entanto, o novo modelo substitui esse processo por uma verificação de prova cripto, o que promete ganhos de desempenho e maior segurança. Além disso, o plano se alinha à estratégia de longo prazo da fundação, centrada em provas zk como base da validação.
Rede implanta estruturas para witnesses e provas zk
O primeiro passo envolve o ExecutionWitness, um pacote compacto que reúne dados essenciais para validar transições de estado sem reexecução. Esse formato deverá integrar as especificações de execução, com testes de conformidade e um endpoint RPC padronizado. O documento cita que o endpoint debug_executionWitness opera hoje no sistema Kona, do Optimism, embora futuras versões precisem maior compatibilidade com zk.
Além disso, o plano introduz os Block Level Access Lists, que registram partes do estado acessadas em cada bloco. Essa função ainda não recebeu prioridade para compatibilidade com forks antigos, mas será necessária para simplificar a coleta de dados que compõem o witness.
O próximo marco trata do programa convidado zkEVM, uma lógica sem estado que confirma se o bloco realmente gera a transição correta quando emparelhado ao witness. Portanto, a fundação reforça que compilações reproduzíveis e padronização de alvos de execução são cruciais para garantir total transparência.
Interface padronizada entre zkVMs e o programa zkEVM
O roteiro também define padrões de interação entre zkVMs e o programa convidado, incluindo formatos, métodos de acesso a precompilações e regras para I/O. Assim, o processo assegura execução consistente e previsível das provas, independentemente da implementação usada.
No lado do consenso, os clientes precisarão aceitar provas zk durante a validação no beacon chain. A proposta inclui especificações detalhadas, vetores de teste e um cronograma inicial de integração. Além disso, o documento avalia a necessidade de armazenar blocos dentro de blobs para melhorar a disponibilidade do payload de execução.
A geração das provas é tratada de forma operacional, com integração das zkVMs às ferramentas internas, como Ethproofs e Ere. Testes com GPUs buscam detectar gargalos e otimizar desempenho. Portanto, a fundação monitora continuamente o tempo de criação dos witnesses e o tempo de geração e verificação das provas.
A medição de desempenho também considera o impacto da propagação das provas pela rede, o que poderá influenciar ajustes futuros no custo de gás para tarefas intensivas em zk. Além disso, a segurança é tratada como prioridade, com foco em especificações formais, monitoramento constante, builds reproduzíveis, assinatura de artefatos e um modelo de ameaças documentado.
Um elemento externo relevante é o ePBS, que amplia o tempo disponível para os provadores. Sem ele, o provador teria apenas 1 a 2 segundos. Com o recurso, o tempo sobe para 6 a 9 segundos. O documento classifica o ePBS como otimização necessária prevista para o upgrade Glamsterdam, programado para meados de 2026.

Gráfico ETHUSDT, fonte: TradingView
Com esses avanços, a rede se aproxima da adoção prática da validação baseada em provas na camada principal, enquanto o tempo de geração e a gestão operacional das provas continuam determinando a velocidade de implementação. No momento da divulgação, o ETH era negociado a US$ 3.300.