Bitcoin recua e tensões dos EUA derrubam o mercado
O Bitcoin iniciou a semana em forte queda e caiu para cerca de US$ 92.400, movimento que refletiu o aumento das tensões comerciais entre Estados Unidos e União Europeia. Além disso, o volume reduzido de negociação no fim de semana aumentou a pressão vendedora e ampliou o recuo em diversos ativos.
Mercado reage ao forte recuo do Bitcoin
O Bitcoin perdeu aproximadamente 2,8% nas últimas 24 horas, afastando-se da região acima de US$ 96 mil registrada recentemente. No mesmo período, Ethereum caiu cerca de 4%, enquanto XRP recuou mais de 4,6%. Outros ativos, como Solana, Sui, Zcash e Dash, também sofreram quedas expressivas, algumas de dois dígitos.
Com isso, a capitalização total do mercado de cripto encolheu quase US$ 98 bilhões, ficando perto de US$ 3,22 trilhões. A aversão ao risco aumentou de forma rápida conforme investidores buscavam proteção diante do cenário macroeconômico.
Tensões comerciais elevam a aversão ao risco
O ambiente global ficou mais instável após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar novas tarifas sobre importações de oito países europeus, como Alemanha, França, Reino Unido, Suécia e Dinamarca. As taxas começam em 10% e podem chegar a 25% se não houver acordo até 1º de junho.
Autoridades europeias classificaram a medida como coercitiva e afirmaram que o impasse envolve interesses estratégicos relacionados à Groenlândia. A União Europeia sinalizou que pode responder com tarifas de retaliação, aumentando ainda mais a tensão comercial.
O impacto foi imediato nos mercados financeiros. O S&P 500 caiu cerca de 0,7% e o Nasdaq recuou 1%. Além disso, bolsas asiáticas acompanharam o movimento e abriram em baixa, reforçando o sentimento global de cautela.
Liquidações aceleram quedas no mercado de cripto
Com negociação ativa durante todo o fim de semana, o mercado de cripto sentiu o impacto de forma imediata. Dados da Coinglass mostram que mais de US$ 870 milhões em posições foram liquidadas nas últimas 24 horas, sendo US$ 787 milhões provenientes de posições compradas.

A liquidez reduzida, ampliada pelo feriado nos Estados Unidos, agravou a intensidade das liquidações forçadas e acelerou a queda de vários ativos. Assim, o mercado ficou mais vulnerável a movimentos bruscos.
Dados on-chain mostram fragilidade estrutural
A Glassnode indicou que a recente alta do Bitcoin até a faixa de US$ 96 mil foi impulsionada por atividades no mercado de derivativos, principalmente liquidações de posições vendidas. No entanto, a liquidez limitada dos contratos futuros aumentou a sensibilidade dos preços após o fim dessas pressões de compra.
Segundo a empresa, investidores de longo prazo acumularam uma grande oferta próxima a topos anteriores, o que limita recuperações mais fortes. Já a CryptoQuant destacou que o Bitcoin continua abaixo da média móvel de 365 dias, próxima a US$ 101 mil, com baixa demanda no mercado à vista e fluxos moderados em ETFs.
Ouro renova máximas enquanto investidores buscam segurança
Enquanto o mercado de cripto operava sob forte volatilidade, ouro e prata renovaram recordes. O ouro superou US$ 4.600 por onça e a prata passou de US$ 93. Portanto, o contraste reforçou o comportamento do Bitcoin como ativo de risco durante momentos de instabilidade macroeconômica.
Mercado aguarda dados de inflação nos EUA
Alguns sinais de estabilização começaram a aparecer. A Glassnode observou redução na distribuição de Bitcoin por holders de longo prazo. Além disso, o fluxo comprador em exchanges como a Binance aumentou, enquanto a pressão vendedora liderada pela Coinbase perdeu força.
Investidores agora aguardam o índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos, previsto para 22 de janeiro. O resultado pode influenciar expectativas sobre a política monetária do Federal Reserve e alterar o apetite ao risco global.
Diante das tensões comerciais, liquidações elevadas e demanda frágil no mercado à vista, o Bitcoin segue sensível às oscilações de liquidez e às notícias macroeconômicas que moldam o comportamento dos investidores.