Computação quântica leva gestor a excluir Bitcoin
A retirada do ativo ocorreu quando Christopher Wood, chefe global de Equity Strategy na Jefferies, decidiu remover completamente o Bitcoin de seu tradicional portfólio Greed & Fear. Segundo ele, o avanço da computação quântica cria incertezas relevantes sobre a segurança da criptomoeda, o que afeta sua confiança no ativo como reserva de valor de longo prazo.
Wood manteve durante anos uma alocação de 10% em Bitcoin no modelo. No entanto, a edição mais recente de seu boletim indicou que essa posição foi reduzida a zero. Os recursos migraram integralmente para ativos ligados ao ouro, resultando em uma postura mais conservadora em relação a riscos tecnológicos futuros.
Realocação estratégica e aumento da exposição ao ouro
A antiga posição de 10% em Bitcoin foi dividida em duas partes iguais. Assim, 5% seguiram para ouro físico e outros 5% para ações de mineradoras. Com isso, a fatia de ouro físico passou a representar perto de 45% do portfólio, enquanto mineradoras somam agora aproximadamente 25%.
Embora o Bitcoin tenha alcançado valorização superior a 300% desde 2020, Wood afirmou que o preço não influenciou sua decisão. Ele destacou que as preocupações centrais surgem da rápida evolução da computação quântica e do impacto que essa tecnologia pode gerar nos mecanismos de cripto utilizados pela rede.
Temores sobre segurança digital no futuro
O Bitcoin depende de estruturas de cripto para proteger carteiras e validar transações. Hoje, computadores tradicionais não conseguem quebrar essas proteções. No entanto, Wood alertou que máquinas quânticas avançadas poderão, no futuro, derivar chaves privadas a partir de dados públicos, criando vulnerabilidades importantes.
Segundo ele, ainda que o risco não seja imediato, a possibilidade de surgirem tecnologias quânticas relevantes em dez ou vinte anos já preocupa investidores institucionais. Esses grupos, como fundos de pensão e gestores soberanos, trabalham com horizontes longos e precisam considerar ameaças potenciais.
Wood argumentou que a simples hipótese de comprometimento da camada de segurança do Bitcoin basta para levantar dúvidas sobre sua viabilidade como reserva de valor.
Divergências entre investidores e desenvolvedores
A decisão de Wood também reflete um debate crescente no setor. O investidor Nic Carter, sócio da Castle Island Ventures, comentou em dezembro, no X, que parte dos desenvolvedores do ecossistema Bitcoin não trata o risco quântico com a devida seriedade.
A discrepância entre capital e desenvolvedores sobre esse tema é enorme. O capital está preocupado e buscando soluções. Os desenvolvedores, na maior parte, estão em negação completa. A incapacidade de reconhecer o risco quântico já está pesando no preço.
Para Carter, há uma clara diferença entre investidores que exigem respostas e desenvolvedores que consideram o risco distante. Assim, essa divergência estaria afetando a confiança do mercado no curto prazo.
Discussão sobre a real distância do risco quântico
Mesmo com essas preocupações, vários pesquisadores afirmam que tecnologias quânticas capazes de romper sistemas de segurança digital ainda estão longe de se tornarem realidade. Eles defendem que, se necessário, o Bitcoin poderá ser atualizado com algoritmos resistentes à computação quântica antes de enfrentar qualquer ameaça concreta.
Além disso, especialistas lembram que o impacto da computação quântica não seria exclusivo do Bitcoin. Bancos, governos e grande parte da internet também precisariam de adaptações profundas caso essas máquinas se tornem viáveis.
No curto prazo, o movimento de Wood reforça como discussões tecnológicas futuras já influenciam decisões de grandes gestores. A migração para o ouro e as preocupações levantadas por investidores como Carter mostram que o debate sobre segurança quântica começa a gerar efeitos visíveis na estratégia e na percepção do mercado.