Bitcoin enfrenta queda de hashrate por disputa energética

A rede do Bitcoin registrou uma queda relevante de hashrate ao longo da semana, retornando para níveis abaixo de 1 zettahash após meses de estabilidade acima dessa marca. A média móvel de sete dias agora gira em torno de 993 EH/s, indicando recuo expressivo quando comparado às máximas observadas no último ano.

Mineração pressionada pelo avanço da computação de IA

A disputa por energia ficou mais intensa com a rápida expansão dos centros de dados dedicados à inteligência artificial. Esses operadores vêm fechando contratos de longo prazo com fornecedores de eletricidade e, além disso, pagam valores mais altos para garantir fornecimento contínuo. Como resultado, mineradoras sofrem pressão direta para reduzir atividades, migrar para regiões com custos mais baixos ou adaptar suas instalações para outros serviços.

Algumas companhias listadas em bolsa decidiram alugar parte de seus parques industriais para fabricantes de chips e empresas de IA. Assim, áreas antes ocupadas por ASICs vêm se transformando em ambientes dedicados à computação de alto desempenho. Uma grande mineradora inclusive assinou contrato plurianual com uma companhia do setor de chips para reduzir riscos associados à volatilidade do mercado de mineração.

No início da semana, Leon Lyu, CEO e fundador da StandardHash, afirmou no X que muitos mineradores passaram a redirecionar energia para o processamento de IA devido às margens de lucro mais vantajosas.

Energia mais cara e disputa pelos mesmos megawatts

O custo da eletricidade continua sendo o principal fator de competitividade na mineração de Bitcoin. Portanto, quando centros de dados disputam os mesmos blocos energéticos, as mineradoras acabam forçadas a três opções: pagar mais caro, aceitar margens menores ou alterar completamente a finalidade de suas instalações.

A queda da hashrate reduziu a dificuldade da rede e impediu variações bruscas no tempo de geração de blocos. No entanto, o ajuste técnico não resolve a competição por contratos e nem ameniza o impacto do consumo crescente das empresas de IA.

Nos Estados Unidos, a operadora de rede PJM, responsável pelo Atlântico Médio, já propôs novas diretrizes para lidar com o avanço da demanda causada pela IA. A proposta exige que novos consumidores de grande porte garantam seu próprio suprimento energético ou aceitem cortes para preservar a estabilidade da rede elétrica.

 

Medidas políticas e adaptação do setor de mineração

Líderes políticos como o presidente dos EUA, Donald Trump, defendem que empresas de tecnologia paguem tarifas mais elevadas pelo uso intensivo da infraestrutura energética. Além disso, autoridades estaduais consideram promover leilões emergenciais para incentivar a construção de novas usinas, buscando reduzir riscos de aumento nas tarifas residenciais.

Para manter competitividade, mineradoras passaram a desligar máquinas em períodos de custo elevado e, além disso, adaptam suas instalações para hospedar GPUs e estruturas vinculadas à IA. A estratégia oferece contratos mais longos e receitas menos voláteis, fortalecendo a sustentabilidade operacional das empresas.

BTCUSD negociado a US$93.005. Fonte: TradingView

A rede do Bitcoin, apesar da queda momentânea de hashrate, segue operando com segurança garantida por seus mecanismos de recompensa. No entanto, especialistas observam que, caso o poder computacional permaneça reduzido por longos períodos, pode haver maior concentração de operações em regiões com energia mais barata.

No curto prazo, os impactos já são nítidos. A redução de hashrate diminuiu a dificuldade da rede, mineradoras aceleram a migração para serviços de IA e operadores de energia trabalham para mitigar pressões sobre o sistema. Assim, a expansão da computação se firma como peça central na disputa por infraestrutura energética global.