Fed avalia pressão para incluir Bitcoin em testes de estresse

A iniciativa do Bitcoin nos modelos de risco ganhou força após Pierre Rochard, CEO da The Bitcoin Bond Company, apresentar uma solicitação formal ao Federal Reserve. O documento enviado em 20 de janeiro propõe que o órgão financeiro inclua o ativo como variável específica nos testes de estresse bancário de 2026. A proposta recebeu atenção porque o executivo defendeu que a volatilidade elevada do ativo exige um tratamento distinto de outras criptos.

Segundo o pedido, o Bitcoin não deve ser agrupado com outros ativos digitais, pois seu comportamento histórico demonstra padrões próprios de risco. O documento questiona a metodologia atual do Federal Reserve e sugere calibrações baseadas nos dados do ativo desde 2015. Essa abordagem, conforme explicou Rochard, tornaria as avaliações bancárias mais precisas em cenários adversos.

A discussão ganhou intensidade após debates sobre o manejo de Bitcoins apreendidos pelo governo dos Estados Unidos. O caso envolvendo o Samourai Wallet levantou suspeitas sobre possível descumprimento da Ordem Executiva 14233, que determina o envio de Bitcoins confiscados para a Strategic Bitcoin Reserve. O Departamento de Justiça afirmou que os 57,5 BTC em questão não foram vendidos, encerrando dúvidas após uma transferência para um endereço da Coinbase Prime.

Rochard reforçou publicamente que os Estados Unidos precisam adotar uma postura mais estratégica em relação ao ativo e que sua inclusão nos testes de estresse ajudaria o país a se posicionar como potência global em tecnologia financeira.

Bitcoin Stress Tests - Bitcoin drawdown from running peak
Fonte: X/@BitcoinPierre

Volatilidade extrema do Bitcoin preocupa analistas

A análise enviada ao Federal Reserve destacou que o Bitcoin apresentou volatilidade anualizada de 73,3 por cento entre 2015 e 2026. No mesmo período, o S&P 500 mostrou apenas 18,1 por cento. Essa discrepância inclui um recuo máximo de 83,8 por cento, além de movimentos diários que variaram de quedas bruscas a altas acima de 10 por cento.

Além disso, Rochard apontou que o comportamento instável do ativo afeta avaliações, margens e riscos de contraparte. Segundo ele, modelos tradicionais baseados em ativos convencionais não conseguem capturar com precisão esses efeitos. A correlação do Bitcoin com variáveis macroeconômicas também oscila bastante, alternando entre negativa e altamente positiva conforme o ciclo de mercado.

Bitcoin Stress Tests - rolling correlations
Fonte: X/@BitcoinPierre

Assim, o executivo afirmou que usar apenas um beta fixo ligado ao mercado acionário gera inconsistências importantes, já que o risco do ativo muda conforme diferentes condições econômicas.

Fed analisa novos modelos para padronização

Para padronizar o processo entre as instituições financeiras, Rochard sugeriu que o Federal Reserve forneça trajetórias trimestrais de preço do Bitcoin em cenários base, adverso e severamente adverso. Ele também admitiu que projeções diárias poderiam ser usadas em conjunto com choques globais.

A proposta apresenta três possíveis modelos: matching de características históricas, alternância de regime e modelos de difusão com saltos que representem riscos de cauda. O objetivo não é prever preços, mas fornecer caminhos plausíveis para testes de estresse consistentes.

O debate ocorre em meio à forte pressão do mercado. O Bitcoin caiu para US$ 88 mil e gerou mais de US$ 1,07 bilhão em liquidações em apenas 24 horas. No entanto, o ouro ultrapassou US$ 4.800 por onça, ampliando discussões sobre reserva de valor. A situação piorou após ameaças dos Estados Unidos de impor tarifas à Groenlândia, o que incentivou fuga de capitais.

Mike Novogratz, CEO da Galaxy, comentou que a disparada do ouro reflete perda de confiança na moeda americana. Segundo ele, o Bitcoin enfrenta forte pressão vendedora e precisaria superar a região de US$ 100 mil a US$ 103 mil para retomar força.

O período de comentários sobre os testes de estresse de 2026 segue aberto até 21 de fevereiro. Enquanto isso, a senadora Cynthia Lummis propõe que o governo dos Estados Unidos amplie suas reservas estratégicas adquirindo até 1 milhão de Bitcoins em cinco anos. A proposta utiliza mecanismos neutros para o orçamento e reforça o debate sobre o papel do ativo na política econômica do país.

Portanto, a demanda apresentada por Rochard destaca a urgência de padronizar a forma como bancos analisam a exposição ao Bitcoin. A medida pode se tornar fundamental no curto prazo diante da volatilidade recente e das tensões envolvendo ativos confiscados.