Bitcoin recua após tensão tarifária entre EUA e Europa

O mercado global registrou forte instabilidade após a ameaça dos Estados Unidos de impor tarifas contra países europeus caso a Dinamarca recusasse negociar a Groenlândia. A tensão elevou a aversão ao risco e pressionou o Bitcoin.

O ouro avançou para patamares inéditos, enquanto o Bitcoin caiu para a região dos US$ 90 mil, com mínimas intradiárias próximas de US$ 87 mil. A correção acelerou por causa da liquidação de posições alavancadas e refletiu o sentimento negativo no mercado de cripto.

Bitcoin gráfico queda

Fonte: TradingView

O recuo eliminou quase US$ 150 bilhões do valor de mercado das criptos. Além disso, o comportamento reforçou a visão de que o Bitcoin ainda é tratado como ativo especulativo em momentos de crise, apesar do discurso de reserva de valor defendido por parte da comunidade.

Tensões tarifárias aumentam pressão sobre ativos de risco

A proposta de Donald Trump inclui tarifas de 10 por cento contra Alemanha, França, Reino Unido, Holanda, Finlândia, Suécia, Noruega e Dinamarca a partir de 1º de fevereiro. O percentual pode subir para 25 por cento até 1º de junho caso não exista acordo. Economistas do ING alertaram que o impacto pode reduzir o crescimento da União Europeia em 0,2 ponto percentual.

Além disso, autoridades europeias discutem ativar o instrumento anticorreção, que permite adotar barreiras comerciais contra países vistos como ofensores. Emmanuel Macron declarou apoio ao uso do mecanismo, enquanto parlamentares europeus classificaram o acordo de julho com Washington como suspenso.

A economia alemã é considerada a mais vulnerável à medida. O economista Carsten Brzeski, do ING, afirmou que a proposta representa um “veneno absoluto” para a recuperação do país.

O ouro continuou sua escalada e ultrapassou US$ 4.800 por onça. Segundo Daniel Ghali, da Strategy, o movimento indica perda de confiança mais ampla nos mercados.

Cripto enfrenta liquidações e sentimento negativo

O Bitcoin acompanhou a queda de ativos sensíveis ao risco. Dados da CoinGlass mostraram quase US$ 1 bilhão em liquidações de posições compradas em 24 horas, sendo US$ 440 milhões apenas em Bitcoin. A pressão aumentou durante o pregão asiático, quando a liquidez costuma ser reduzida.

Alex Thorn, da Galaxy Digital, afirmou que o Bitcoin “não está cumprindo seu papel esperado em tempo real”. Além disso, Dean Chen observou que investidores tradicionais continuam tratando o ativo como risco elevado.

Nos derivativos, o clima segue negativo. Sean Dawson, da Derive.xyz, disse que as tensões geopolíticas podem trazer volatilidade persistente. Dados de opções mostram interesse concentrado em puts entre US$ 75 mil e US$ 85 mil, com vencimento em 26 de junho.

O estrategista da Bloomberg Intelligence, Mike McGlone, apresentou uma avaliação ainda mais alarmante, alertando que a incapacidade do Bitcoin de se manter acima das médias de longo prazo em 2025 sugere que o preço poderá eventualmente cair para até US$ 10.000.

Campbell Harvey, da Universidade Duke, também afirmou em pesquisa acadêmica que o Bitcoin ” dificilmente pode ser considerado um ativo de refúgio seguro “, observando que sua correlação com o ouro se desfez completamente.

Fluxos institucionais podem limitar perdas

Ainda assim, alguns fatores sugerem suporte ao preço. Dados da MEXC apontaram entrada de 1.474 BTC em ETFs em 16 de janeiro, enquanto 36.800 BTC saíram de corretoras. Assim, a oferta disponível diminuiu.

Outra leitura indica que há 86 por cento de chance de Trump recuar das tarifas até 1º de fevereiro, o que pode aliviar a pressão sobre ativos de risco.

Analistas da Bitfinex disseram que volumes spot seguem estáveis, taxas de financiamento continuam neutras e não há aumento de depósitos em exchanges, o que demonstra ausência de pânico.

No curto prazo, decerto.,o desempenho do Bitcoin permanece atrelado ao cenário geopolítico. Além disso, a volatilidade ampliada após as liquidações recentes ajuda a definir o comportamento do mercado conforme fevereiro se aproxima.