BlackRock sugere avanço da tokenização com uso de Ethereum

O CEO da BlackRock, Larry Fink, aproveitou sua presença no Fórum Econômico Mundial para defender que a tokenização avance de forma acelerada e deixe de ser um conjunto de experimentos isolados. Ele argumentou que os mercados financeiros ganhariam eficiência com uma infraestrutura unificada baseada em uma única blockchain. No entanto, o executivo evitou citar nomes, embora Ethereum tenha surgido naturalmente como principal opção entre analistas e usuários.

Segundo Fink, a digitalização de ativos precisa ser ampliada, especialmente em países emergentes como Brasil e Índia, que já lideram iniciativas de tokenização de moedas locais. Além disso, ele reforçou que esse movimento deve ir além dos pagamentos, alcançando setores mais complexos do mercado financeiro.

O debate ganhou força após o CEO mencionar que uma infraestrutura padronizada poderia baratear processos, reduzir taxas e permitir transações mais rápidas entre fundos, ações e títulos. Assim, a tokenização serviria como ferramenta para democratizar o acesso a produtos financeiros em escala global.

Debate sobre infraestrutura blockchain ganha força

A fala de Fink reabriu discussões sobre qual rede teria liquidez, segurança e adoção suficientes para sustentar um padrão global. Ele sugeriu que uma blockchain comum poderia até reduzir corrupção e aumentar a transparência, ainda que isso implicasse maior dependência de uma única infraestrutura tecnológica.

Embora ele não tenha citado nomes, a presença de Ethereum no ecossistema da BlackRock tornou a associação inevitável. A gestora administra ETFs como o iShares Bitcoin Trust (IBIT) e o iShares Ethereum Trust (ETHA), lançado em 2024. Portanto, o histórico da empresa fortaleceu a percepção de que Ethereum ocupa uma posição privilegiada nesse debate.

No campo da tokenização, Ethereum também tem destaque. O primeiro fundo tokenizado da gestora, o BlackRock USD Institutional Digital Liquidity Fund (BUIDL), foi emitido nessa rede em 2024 pela Securitize. Desde então, o fundo passou por expansões para outras blockchains, mas Ethereum permaneceu como base inicial das emissões públicas, o que reforça sua relevância na definição de padrões globais.

Pesquisas da BlackRock apontam tendência favorável

Um relatório temático divulgado pela BlackRock em 2026 descreveu Ethereum como uma infraestrutura capaz de atuar como uma “estrada pedagiada” na tokenização. Conforme o documento, a rede recolheria taxas à medida que o setor amadurece, fortalecendo seu papel dentro da economia digital. Além disso, o estudo apontou as stablecoins como indicadores iniciais do avanço da tokenização global.

Dados recentes mostram que mais de 65 por cento dos ativos tokenizados são emitidos em Ethereum. Assim, a rede mantém sua liderança na construção desse ecossistema e se posiciona como possível referência para um modelo unificado.

No período mencionado, Ether era negociado a US$ 3.005.

Ethereum price chartETH permanece entre os níveis de Fibonacci de 0,618 e 0,5, gráfico semanal. Fonte: TradingView

As observações de Fink, feitas em uma linguagem voltada para infraestrutura em vez de evangelismo cripto, basearam-se fortemente na justificativa operacional para ativos digitalizados e sistemas de liquidação interoperáveis.

“Acredito que o movimento em direção à tokenização e à decimalização é necessário. É irônico vermos dois países emergentes liderando o mundo na tokenização e digitalização de suas moedas: Brasil e Índia . Acho que precisamos avançar muito rapidamente nesse sentido.”

As declarações de Fink, somadas ao histórico institucional da BlackRock e às conclusões de suas próprias pesquisas, reforçam o papel central de Ethereum no avanço da tokenização global. Além disso, o protagonismo da rede na emissão de ativos tokenizados indica que o debate sobre uma infraestrutura única tende, no curto prazo, a se concentrar nela.