PF investiga lavagem milionária com criptomoedas

PF amplia ações contra esquema de lavagem de capitais

A Polícia Federal aprofundou as investigações sobre um grupo especializado em lavar dinheiro usando diferentes mecanismos financeiros, incluindo criptomoedas. A ofensiva, denominada Operação Narco Azimut, surgiu como desdobramento da Narco Bet e aponta para uma estrutura criminosa que buscava ocultar a origem de valores ilícitos por meio de diversas camadas de movimentação.

As equipes da PF avançaram após identificarem ações que combinavam transporte de dinheiro vivo, transferências bancárias volumosas e negociações que ocultavam recursos no Brasil e no exterior. Segundo os investigadores, o grupo estruturou operações complexas para dificultar o rastreio das transações e mantinha atividades coordenadas entre diferentes estados.

Além disso, pessoas já citadas em fases anteriores das investigações continuavam atuando no esquema. Elas contavam com novos integrantes e com empresas criadas ou usadas para simular legalidade, o que permitia movimentar grandes quantias sem levantar suspeitas imediatas. Essa estratégia ampliava o alcance da organização e reforçava seu poder de dissimulação.

A PF estimou que as transações já rastreadas ultrapassam R$ 39 milhões, podendo crescer conforme novas evidências forem analisadas. As operações com ativos digitais reforçavam o conjunto de mecanismos adotados pelo grupo, que buscava inserir diferentes etapas para mascarar a trilha financeira. No entanto, os investigadores conseguiram reconstruir parte dos fluxos utilizados, identificando pontos-chave da atuação criminosa.

Grupo operava com várias camadas de dissimulação

De acordo com os agentes, a rede criminosa operava de forma altamente organizada. Além do transporte interestadual de dinheiro em espécie, havia sucessivas transferências bancárias destinadas a fragmentar o caminho dos valores. Assim, criava-se um ambiente ideal para integrar criptos ao processo, aumentando o nível de complexidade e dificultando a identificação da origem dos recursos.

A Justiça determinou o sequestro de bens ligados aos investigados, como imóveis, veículos e outros patrimônios suspeitos. Também bloqueou movimentações societárias para evitar que os envolvidos tentassem ocultar ainda mais o patrimônio. Essa medida, segundo os investigadores, é essencial para impedir a dissipação dos valores enquanto a apuração avança.

Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam documentos, dinheiro, automóveis e equipamentos eletrônicos. Esse material contribuirá para detalhar o caminho do dinheiro e esclarecer como o grupo mantinha suas operações. Além disso, novas ações poderão ocorrer conforme análises adicionais forem realizadas.

Os suspeitos podem responder por crimes como lavagem de dinheiro, associação criminosa e evasão de divisas. Essas acusações refletem o uso de estruturas capazes de manipular grandes montantes e dificultar o trabalho das autoridades. Portanto, a operação representa um avanço importante para desarticular redes que dependem de mecanismos financeiros cada vez mais sofisticados.

Com as apreensões e o bloqueio de bens, a PF busca garantir que os valores rastreados possam ser avaliados com precisão. A corporação reforça que os R$ 39 milhões identificados até o momento representam apenas parte das movimentações. Assim, o material recolhido deve contribuir para ampliar o entendimento sobre o funcionamento da rede financeira utilizada pela associação criminosa.