USDT desacelera e preocupa mercado cripto

A desaceleração na demanda pelo USDT (Tether) em janeiro de 2026 chamou a atenção de analistas, pois dados recentes que a indicaram redução no ritmo de expansão do stablecoin reforçam dúvidas sobre liquidez no mercado cripto. Além disso, a retração ocorre em um momento de maior incerteza macroeconômica, o que aumenta a preocupação entre investidores.

Desaceleração na oferta amplia sinais de cautela

A CryptoQuant registrou queda significativa na expansão da oferta circulante do USDT (Tether) desde o fim de novembro de 2025. O crescimento no valor de mercado do token caiu de quase US$ 15 bilhões para cerca de US$ 3,3 bilhões ao longo do período. Esse movimento indica uma entrada menor de capital fresco, algo que historicamente influencia ativos como Bitcoin.

Além disso, ciclos anteriores mostraram que períodos de forte aumento na capitalização do stablecoin costumam acompanhar fases de valorização do Bitcoin. No entanto, momentos de desaceleração tendem a coincidir com consolidação ou início de tendência de baixa. Assim, o comportamento recente mantém o mercado em alerta.

A métrica de variação da capitalização em 60 dias ainda não ficou negativa, mas o recuo constante reforça a percepção de que a liquidez está diminuindo. Portanto, analistas acompanham atentamente qualquer mudança mais brusca no indicador.

Variação da capitalização de mercado e preço do Bitcoin. | Fonte: CryptoQuant


Pressão no preço e redução em redes como Ethereum

A queda da capitalização do USDT na rede Ethereum reforça esse cenário. O token foi negociado abaixo de US$ 1 em vários momentos do último mês. Embora isso não configure descolamento oficial, a combinação entre menor oferta e cotação sob pressão indica saída de recursos.

Além disso, o movimento sugere que investidores preferem retirar capital do setor em vez de realocá-lo. Assim, o fluxo de saída ganha força, ampliando a cautela entre operadores.

A situação se intensificou após a Tesouraria da Tether realizar a queima de 3 bilhões de USDT, a maior dos últimos três anos. A operação geralmente ocorre quando investidores trocam stablecoins por dólares, o que reforça o sinal de pressão de resgate.

Fluxo de saída aumenta e reforça risco de menor liquidez no setor

Alguns analistas veem a queima como reflexo da postura mais defensiva de grandes detentores. Além disso, tensões geopolíticas e incertezas econômicas elevadas contribuem para o ambiente de cautela. Portanto, se os resgates continuarem, o mercado de stablecoins, que permanece próximo de US$ 308 bilhões em capitalização total, pode entrar em fase de correção.

Historicamente, reduções no tamanho desse mercado ampliam a volatilidade no restante do setor cripto. Assim, os investidores ficam mais atentos aos próximos movimentos da Tether e à reação do mercado.

No entanto, um fato recente chamou atenção. O banco central do Irã comprou US$ 507 milhões em USDT para tentar contornar sanções dos EUA e oferecer suporte ao rial. Embora seja um caso específico, o episódio se destaca em meio ao cenário de retração mais ampla.

No curto prazo, a combinação entre desaceleração da expansão do stablecoin, negociações abaixo de US$ 1, queda da oferta em redes como Ethereum e a recente queima de tokens indica redução de liquidez. Além disso, esses fatores explicam o fluxo de saída observado nas últimas semanas e mostram por que analistas avaliam com mais cuidado o impacto sobre ativos voláteis como o Bitcoin.