Bitcoin cai com pressão regulatória e tensões globais
O Bitcoin voltou a operar abaixo de US$ 90.000 após nova rodada de volatilidade. O movimento reflete incertezas regulatórias, tensões globais e oscilações no mercado de títulos soberanos. A combinação desses elementos mantém o mercado em alerta, enquanto investidores acompanham próximos passos nos EUA.
Nesse cenário, o ativo apresentou leve alta de 0,2% nas últimas 24 horas, sendo negociado próximo de US$ 89.582. No início do dia, porém, chegou a tocar US$ 87.300 antes de recuperar momentaneamente o nível de US$ 90.295.

Fonte: TradingView
Ao considerar a semana, o Bitcoin acumula queda próxima de 8%, oscilando entre US$ 87.653 e US$ 96.875. Assim, o sentimento segue pressionado, influenciado por fatores que vão além do mercado cripto.
Impacto do atraso no CLARITY Act nos EUA
A postergação do CLARITY Act nos EUA continua afetando o mercado. O projeto, visto como essencial para estabelecer regras claras para ativos digitais, ainda aguarda aprovação. Analistas afirmam que o tema perdeu urgência no governo americano, apesar de declarações recentes de que o texto deve ser assinado em breve.
Nic Puckrin, cofundador do Coin Bureau, explicou que a atenção inicial dada ao projeto diminuiu rapidamente. Segundo ele, a fala do presidente Donald Trump em Davos indicou que a regulação não é prioridade imediata. Além disso, a suspensão de tarifas para países da OTAN não gerou impulso significativo para o Bitcoin.
“A euforia momentânea sobre o compromisso americano com as criptos sumiu rapidamente, e nem o cancelamento de tarifas conseguiu sustentar o preço do Bitcoin.”
Puckrin avalia que o texto pode levar anos para avançar. Portanto, a falta de definição regulatória tende a manter o setor em incerteza prolongada. Ele defende que aprovar um projeto funcional agora seria mais positivo do que buscar um texto perfeito mais adiante.
Resiliência do Bitcoin mesmo em ambiente volátil
Apesar das oscilações, o ativo mostra resiliência. Dom Harz, cofundador da BOB, destacou que o Bitcoin registra alta mensal de 2%, mesmo em meio às tensões globais. Além disso, ele observou maior interesse institucional durante o Fórum de Davos, com investidores buscando instrumentos seguros e eficientes.
Harz explicou que instituições buscam transformar parte de suas posições em Bitcoin em capital produtivo. Para isso, o desenvolvimento de infraestrutura DeFi baseada no ativo será fundamental. Esse avanço pode ampliar a adoção institucional ao permitir novas formas de uso sem comprometer a segurança da rede.
Tensões nos títulos soberanos aumentam a pressão
A recente turbulência no mercado de títulos soberanos ampliou o risco estrutural global. Analistas da Bitunix citaram forte onda de venda em títulos japoneses de longo prazo. Em 21 de janeiro, papéis de 30 e 40 anos registraram salto de mais de 25 pontos-base, um evento raro e considerado de seis desvios padrão.
Esse choque também afetou os EUA, elevando o rendimento do Treasury de 10 anos ao maior nível desde agosto do ano anterior. Autoridades de ambos os países pediram calma durante o Fórum de Davos. No entanto, analistas ressaltam que intervenções verbais dificilmente conterão a volatilidade, já que pressões estruturais persistem.
Entre os fatores destacados estão expectativas de medidas não convencionais do Banco do Japão, incertezas eleitorais e aumento das taxas domésticas japonesas. Portanto, a percepção de fragilidade em ativos tradicionalmente seguros pode influenciar a busca por alternativas como o Bitcoin.
No curto prazo, a pressão sobre títulos e ativos de risco pode reduzir o interesse por cripto. No médio prazo, a politização crescente dos mercados de dívida tende a fortalecer o Bitcoin como proteção alternativa. Além disso, no longo prazo, a erosão da estabilidade monetária global pode aumentar o peso estratégico do ativo em portfólios.
Essa análise detalhada indica que a combinação de incertezas regulatórias, tensões macroeconômicas e instabilidade nos títulos continua moldando o comportamento do Bitcoin. O mercado, portanto, segue atento à evolução do CLARITY Act e às decisões de política monetária ao redor do mundo. Essas ações podem influenciar diretamente a trajetória do ativo nos próximos meses, conforme apontado em avaliações feitas por analistas que pesaram os impactos recentes.