Fed e iene podem influenciar alta do Bitcoin
O mercado acompanha com atenção os possíveis efeitos da política monetária dos Estados Unidos sobre o Bitcoin. A discussão ganhou força depois que Arthur Hayes afirmou que uma intervenção destinada a apoiar o iene poderia impulsionar o principal ativo digital, desde que provocasse expansão da liquidez em dólar. Além disso, relatos recentes indicaram que o Federal Reserve de Nova York realizou verificações da taxa dólar-iene, o que alimentou especulações sobre uma possível ação coordenada entre autoridades dos dois países.
No entanto, o relatório H.4.1 mais recente não mostra aumento na liquidez. Os ativos em moeda estrangeira permanecem estáveis, o que sugere ausência de medidas que ampliem o balanço do Fed. Assim, o cenário projetado por Hayes ainda não se confirma.
Relação entre liquidez do Fed e desempenho do Bitcoin
Hayes explicou que qualquer tentativa de fortalecer o iene exigiria que o Federal Reserve vendesse dólares e comprasse ienes. Portanto, isso acrescentaria dólares ao sistema financeiro, o que poderia gerar um ambiente mais favorável para o Bitcoin. Segundo ele, a linha do relatório H.4.1 referente aos ativos estrangeiros funciona como um indicador direto da expansão ou contração do balanço do Fed.
Historicamente, quando o balanço cresce, o Bitcoin tende a apresentar melhor desempenho. Porém, dados recentes mostram que o movimento atual segue oposto. O balanço total permanece em cerca de US$ 6,58 trilhões, em trajetória de queda mensal. Além disso, os ativos em moeda estrangeira seguem próximos de US$ 19 bilhões, sem sinais de expansão.
Mercado reage a possíveis movimentos entre EUA e Japão
As especulações aumentaram após verificações realizadas pelo Fed de Nova York sobre o par dólar-iene em 23 de janeiro. Esse tipo de ação costuma indicar monitoramento mais intenso das flutuações cambiais. Contudo, verificações não confirmam intervenção oficial. Além disso, autoridades japonesas alertaram ao longo do mês sobre oscilações excessivas, o que levou o iene a se fortalecer temporariamente até 155,90 por dólar.
Mesmo assim, nenhuma confirmação oficial aponta para medidas conjuntas. Portanto, analistas seguem cautelosos enquanto acompanham novas atualizações. A análise do Brain AI, divulgada no X, reforça que o balanço do Fed segue diminuindo cerca de US$ 75 bilhões por mês, o que sinaliza drenagem de liquidez.
A leve alta nas participações de Treasuries não altera a política de aperto quantitativo. Assim, o quadro atual não sustenta expectativas de alta imediata baseada em expansão monetária.
Volatilidade do iene pode afetar o Bitcoin
O fortalecimento rápido do iene pode gerar riscos para ativos de maior volatilidade, incluindo o Bitcoin. Isso ocorre porque movimentos bruscos podem desencadear o desmonte do carry trade de iene, estratégia usada por investidores que tomam empréstimos na moeda japonesa para aplicar em ativos mais arriscados. Portanto, quando esse mecanismo é desmontado, há aumento na pressão vendedora sobre ações e cripto.
Assim, mesmo que uma eventual intervenção japonesa gere mais liquidez futuramente, o impacto inicial pode pesar contra o Bitcoin. No momento, o preço do ativo gira em torno de US$ 89.470, enquanto o câmbio dólar-iene oscila entre 155 e 158.
O que investidores observam nos próximos relatórios
O portal Crypto Observer HQ destacou que somente um crescimento claro dos ativos estrangeiros no balanço do Fed, sem reduções equivalentes em outras categorias, confirmaria uma perspectiva altista. Por isso, investidores aguardam novos relatórios H.4.1 em busca de mudanças relevantes. Além disso, a ausência de expansão reforça que o mercado opera em ambiente de redistribuição de liquidez.
Portanto, o Bitcoin segue sensível tanto aos sinais de política monetária quanto às oscilações do iene. A combinação entre verificações cambiais e continuidade do aperto quantitativo mantém o cenário incerto. Assim, cada nova divulgação do Federal Reserve pode influenciar de forma direta a volatilidade do mercado.