Venda de Kiyosaki reacende debate sobre rotação de ativos

Robert Kiyosaki, autor de Rich Dad Poor Dad, voltou ao centro do debate financeiro após revelar que trocou toda sua posição em ouro e prata por Bitcoin há 11 meses. A decisão chamou atenção porque, nesse período, o ouro registrou forte valorização acima de 100%, enquanto o Bitcoin acumulou uma retração superior a 6%.

A discussão ganhou força quando um investidor compartilhou nas redes sociais um vídeo criticando o desempenho relativo de Kiyosaki ao deixar os metais preciosos. Além disso, parte do mercado avaliou que o movimento não acompanhou o ciclo global de liquidez, considerado determinante para entender onde o capital institucional se posiciona.

“Vendi todos os meus #Silver e #gold e converti em Bitcoin – há 11 meses.” Prata a US$ 28-30/oz – perdeu mais de 200% da oportunidade. Ouro a US$ 1.940-2.000/oz ficou 70% abaixo do valor de mercado. Bitcoin a US$ 96 mil
RIP
@theRealKiyosaki
Sean Zubick @SeanZubick no X

Críticas ao momento da troca entre ouro e Bitcoin

Analistas comentaram que a estratégia de Kiyosaki ignorou indicadores amplamente utilizados para antecipar fases de alta em diferentes classes de ativos. Segundo especialistas, a liquidez global costuma sinalizar com antecedência quando o capital migra para mercados de proteção como ouro ou para ativos de risco como o Bitcoin.

No entanto, as críticas aumentaram depois que o autor decidiu vender posteriormente US$ 2,25 milhões em Bitcoin para financiar um novo negócio físico que, segundo ele, geraria fluxo de caixa mensal. Observadores afirmam que a operação reforçou a percepção de falta de sincronia entre suas decisões envolvendo ouro e BTC.

Ainda assim, Kiyosaki afirmou recentemente que continua acumulando ouro, prata, Bitcoin e Ethereum. Além disso, ele destacou que esses ativos servem como ferramentas de preservação patrimonial em meio à desvalorização de moedas globais, argumento que cita com frequência em suas publicações.

Impacto da liquidez global nas decisões de Kiyosaki

Especialistas explicaram que a movimentação de Kiyosaki expõe a importância de compreender a liquidez internacional antes de rotacionar posições. Para eles, esse indicador atua como termômetro dos fluxos de grandes fundos, que influenciam diretamente os preços de Bitcoin, ouro e outros ativos de proteção.

Além disso, tensões geopolíticas recentes beneficiaram metais preciosos, criando um cenário mais favorável ao ouro em comparação ao Bitcoin. Kiyosaki, no entanto, declarou acreditar que a prata será o grande destaque de 2026, projetando que o metal poderá atingir US$ 200 por onça devido à crescente aceitação como reserva de valor.

O movimento institucional também segue relevante. A empresa Strategy e o fundo IBIT, da BlackRock, voltaram a comprar grandes volumes de BTC no início do ano. Esse comportamento sugere que o capital corporativo ainda considera o Bitcoin uma alternativa competitiva ao ouro em estratégias de longo prazo. Além disso, analistas esperam aumento no fluxo de entrada no mercado cripto em 2026.

Rotação entre ouro e Bitcoin volta ao foco

O caso envolvendo Kiyosaki incentivou especialistas a refletir sobre como a escolha do momento certo pode alterar resultados no curto prazo. Assim, a forte alta do ouro, contrastando com a leve queda do Bitcoin, reforça como mudanças drásticas de alocação em períodos de volatilidade intensa podem impactar o desempenho de uma carteira.

O episódio também reacendeu debates sobre educação financeira e sobre a necessidade de compreender ciclos de mercado. A discussão ampliou o interesse sobre fluxos de liquidez que, conforme analisado por economistas, antecipam grandes movimentos de preço em ativos de proteção e de risco. Além disso, a controvérsia reacendeu atenção para decisões estratégicas de investidores de grande notoriedade.

Kiyosaki demonstrou confiança em sua visão e segue comentando sobre ativos de preservação patrimonial. A polêmica, no entanto, trouxe reflexões relevantes sobre como o sincronismo entre ouro e Bitcoin continuará sendo uma das principais variáveis para investidores. Que buscam diversificação em um cenário de incertezas globais. A discussão sobre esse tema foi ampliada quando especialistas analisaram os riscos de rotação entre classes de ativos.