Stablecoin supera US$284 bi e intensifica alerta bancário
O mercado global de stablecoin alcançou mais de US$284 bilhões em circulação, um marco que reacendeu discussões sobre seu impacto no sistema financeiro tradicional. O avanço acelerado reforça a relevância desse tipo de ativo em meio a novas regulações nos Estados Unidos.
O setor ganhou força após mudanças regulatórias recentes, o que abriu espaço para análises sobre sua relação com bancos e emissores. Economistas como Niall Ferguson e Manny Rincon-Cruz afirmam que stablecoins funcionam mais como instrumentos de pagamento do que como ativos voláteis, como o Bitcoin.
“O argumento de que stablecoins são fonte de instabilidade, especialmente as que oferecem recompensas, é fraco. O contrário pode ser verdade”, disse Ferguson em uma rede social.
Entre as mudanças regulatórias relevantes, especialistas destacam o GENIUS Act, aprovado no último verão nos EUA. A norma marcou o primeiro marco federal abrangente para stablecoins de pagamento, exigindo reservas em dinheiro, depósitos bancários e Títulos do Tesouro de curto prazo. Além disso, proibiu que emissoras ofereçam juros diretamente aos detentores dos tokens.
Com a maior clareza regulatória, o setor cresceu rapidamente. Dados do Treasury Borrowing Advisory Committee mostram que USDT, da Tether, e USDC, da Circle, representam mais de 90 por cento da oferta global atual.
Crescimento das stablecoins intensifica pressões sobre bancos
Bancos norte-americanos afirmam que o avanço das stablecoins pode afetar depósitos tradicionais, sobretudo quando plataformas oferecem recompensas associadas ao uso desses tokens. Instituições como American Bankers Association e Bank Policy Institute defendem que a migração de depósitos pode encarecer o financiamento bancário.
O JPMorgan classificou stablecoins com rendimento como uma espécie de sistema bancário paralelo, porém sem proteções equivalentes.
A pressão bancária influenciou debates no Congresso, especialmente sobre o CLARITY Act. No entanto, empresas do setor cripto reagiram às tentativas de limitar recompensas, o que levou ao adiamento de audiências no Senado.
Paul Grewal, diretor jurídico da Coinbase, rebateu as alegações e afirmou que recompensas não geram risco sistêmico. Segundo ele, competição com bancos não deve ser confundida com instabilidade financeira.
Histórico aponta coexistência entre bancos e stablecoins
Para Ferguson e Rincon-Cruz, notas bancárias e depósitos cresceram historicamente de modo complementar. Desde o lançamento do USDC em 2018, depósitos bancários nos EUA aumentaram mais de US$6 trilhões, enquanto stablecoins cresceram cerca de US$280 bilhões, sem fuga relevante de depósitos.
Jeremy Allaire, CEO da Circle, reforçou esse ponto no Fórum Econômico Mundial em Davos, afirmando que recompensas associadas ao uso de stablecoins funcionam como programas de fidelidade tradicionais.
O avanço global também impressiona. Em 2025, transações com stablecoins somaram US$33 trilhões, alta de 72 por cento em relação ao ano anterior. USDC movimentou US$18,3 trilhões, enquanto USDT alcançou US$13,3 trilhões.
O Fundo Monetário Internacional reconhece que stablecoins podem aumentar a eficiência em pagamentos internacionais, devido à velocidade e ao baixo custo. No entanto, reforça a necessidade de coordenação regulatória, sobretudo para mitigar riscos em mercados emergentes.
A dinâmica atual indica que a expansão das stablecoins ocorre em paralelo ao crescimento do sistema bancário. Assim, o impacto mais imediato está na competição entre emissores e bancos, e não em uma ameaça direta à estabilidade financeira.