Bitcoin pode avançar com desaceleração dos metais
O movimento recente do ouro e da prata influenciou diretamente o fluxo de capital global e afetou o desempenho do Bitcoin no curto prazo. Conforme explicou Tom Lee, sócio-gerente da Fundstrat, o forte avanço dos metais preciosos atraiu investidores em busca de proteção, reduzindo a entrada de recursos em ativos digitais. Em entrevista ao programa Power Lunch da CNBC, ele destacou que essa realocação de liquidez limitou a força que poderia impulsionar uma recuperação mais intensa no mercado cripto.
O ouro ultrapassou níveis recordes acima de US$ 5.100, acumulando quase 8% de alta no ano. Já a prata aproximou-se de US$ 110 após subir cerca de 57%. Esse comportamento robusto deriva de tensões geopolíticas, preocupações com tarifas e um dólar enfraquecido. Assim, grande parte do capital cauteloso buscou refúgio nesses metais, reduzindo o apetite pelos ativos digitais, que tradicionalmente exigem maior tolerância ao risco.
Além disso, outubro registrou um processo significativo de desalavancagem. Segundo Lee, empresas e criadores de mercado enfrentaram margens menores, o que reduziu o impacto das operações alavancadas. Portanto, o avanço do setor ficou mais lento, e o mercado passou a exigir maior força para sustentar movimentos de alta.
Apesar desse cenário restrito, alguns segmentos exibem sinais de reação. Um dos exemplos é a BitMine, empresa ligada ao próprio Lee com foco em tesouraria de Ether. Dados públicos mostram que a companhia adquiriu 20.000 ETH recentemente, indicando confiança institucional mesmo em períodos de menor entusiasmo geral. Esse tipo de compra reforça a expectativa de que o mercado pode encontrar impulso caso as condições macroeconômicas se tornem mais favoráveis.
A BitMine realizou a compra de 20.000 ETH em janeiro, reforçando o papel de investidores institucionais no setor.
Estabilidade do Bitcoin aumenta interesse no mercado
O Bitcoin manteve-se negociado entre US$ 87.000 e US$ 88.000, após oscilações influenciadas por eventos globais. A criptomoeda testou o suporte de US$ 86.000, mas ainda não rompeu a zona dos US$ 95.000 em tentativas recentes. No entanto, o comportamento dos compradores demonstra interesse em adquirir o ativo durante quedas, evitando movimentos agressivos de busca por altas.
Os volumes seguem mistos, enquanto os fluxos de ETFs permanecem negativos. Mesmo assim, a estabilidade recente evita um clima de pessimismo mais profundo e sustenta expectativas de retomada caso ocorram novos catalisadores.
Gráfico BTCUSD em US$ 88.104 no período de 24 horas: TradingView
Sentimento de risco continua determinante
Análises da CryptoQuant indicam que a fraqueza do dólar só impulsiona o Bitcoin quando ocorre em ambiente de apetite ao risco. Em momentos de aversão, investidores preferem alternativas tradicionais, como o ouro. Portanto, uma valorização consistente do Bitcoin exige que a queda do dólar venha acompanhada de maior disposição para ativos voláteis.
Tom Lee reforça que Bitcoin e Ethereum tendem a reagir de forma mais intensa quando ouro e prata estabilizam. Assim, a desaceleração dos metais poderia liberar capital e impulsionar o setor cripto.
Fatores que podem provocar uma virada
Uma pausa no avanço dos metais ou uma correção mais profunda poderia redirecionar recursos para o mercado digital. Além disso, eventuais sinais de flexibilização do Federal Reserve também podem estimular o setor. Paralelamente, cresce o interesse institucional por plataformas de contratos inteligentes, especialmente em redes como o Ethereum.
Com o Bitcoin sustentando níveis considerados importantes, as análises de Lee ajudam a entender o impacto da atual movimentação macroeconômica. Portanto, a combinação entre desaceleração dos metais, compras institucionais e estabilidade no preço do Bitcoin pode preparar o terreno para mudanças relevantes no curto prazo.