Bitcoin cai com saída de US$ 2,2 bi em stablecoins

O mercado de Bitcoin enfrenta uma fase de baixa liquidez após a saída de cerca de US$ 2,24 bilhões das principais stablecoins em dez dias, segundo a Santiment. Esse movimento coincidiu com a queda do Bitcoin de quase US$ 95 mil para perto de US$ 88 mil, o que reforça a retirada de capital do setor, e não a espera por novas oportunidades de compra. Além disso, o cenário indica menor apetite por risco no curto prazo.

Durante esse período, o Bitcoin registrou oscilações moderadas, mas continua negociado ao redor de US$ 88.500. No entanto, a diminuição da oferta de stablecoins reduz a capacidade do mercado de reagir a movimentos bruscos de preço, o que aumenta a fragilidade das recuperações.

A capitalização total das 12 maiores stablecoins caiu US$ 2,24 bilhões em dez dias, coincidindo com uma queda de 8% no preço do Bitcoin, segundo a Santiment. O movimento sugere migração para ativos tradicionais como ouro e prata.

Pressão cresce com busca por ativos mais seguros

A queda generalizada das criptos ocorre enquanto ativos considerados seguros ganham força. O ouro ultrapassou US$ 5 mil após alta de mais de 20% em poucos meses, enquanto a prata dobrou de valor no mesmo período. Assim, investidores buscam proteção e reduzem a exposição a ativos digitais.

Desde outubro, a volatilidade aumentou após a liquidação de mais de US$ 19 bilhões em posições alavancadas, que derrubou o Bitcoin de US$ 121.500 para menos de US$ 103 mil. Portanto, o apetite por risco segue reduzido, e a migração para reservas mais estáveis se intensifica.

A própria Tether reforçou essa tendência ao adquirir 27 toneladas métricas de ouro no quarto trimestre de 2025, investimento avaliado em cerca de US$ 4,4 bilhões. Esse movimento mostra a preferência crescente por ativos físicos com maior segurança.

Mercado perde força com menor oferta de stablecoins

Em períodos normais de venda de Bitcoin ou altcoins, há aumento na demanda por stablecoins, que garante liquidez interna. No entanto, o cenário atual indica conversão direta para moeda fiduciária, o que retira capital do ecossistema. Portanto, a capacidade de suportar volatilidade diminui de forma significativa.

Com menos stablecoins circulando, movimentos de recuperação tendem a ser mais lentos, enquanto quedas podem ganhar intensidade. Altcoins costumam sentir esse impacto antes, enquanto o Bitcoin mantém alguma resistência relativa diante da pressão.

Indicador na Binance gera sinal enganoso

Dados da CryptoQuant apontaram aumento na relação entre Bitcoin e stablecoins na Binance, índice que costuma sinalizar maior poder de compra. No entanto, dessa vez o indicador subiu apenas porque os saldos de stablecoins caíram rapidamente, e não devido a entradas reais de Bitcoin.

Gráfico de relação Bitcoin-stablecoins

Fonte: TradingView

A saída de capital reduziu tanto o saldo de cripto quanto o de stablecoins na exchange. Assim, o índice subiu por efeito matemático, sem representar aumento real de demanda. Portanto, a força compradora permanece limitada.

Segundo a Santiment, recuperações sólidas no setor geralmente começam quando a oferta de stablecoins se estabiliza e volta a subir. No momento, a tendência de redução permanece, o que limita possíveis altas e pesa sobre o desempenho de altcoins. O Bitcoin, ainda assim, mantém comportamento mais estável.

No curto prazo, a combinação entre saída de recursos, maior busca por ouro e menor liquidez reforça a pressão sobre o Bitcoin. Assim, o mercado opera de forma cautelosa e com menor disposição para risco, o que dificulta movimentos mais robustos de recuperação.

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