Lavagem cripto atingiu US$ 82 bi em 2025, relata Chainalysis
A Chainalysis revelou que a lavagem de dinheiro com ativos digitais alcançou US$ 82 bilhões em 2025. O número representa um salto expressivo em comparação aos US$ 10 bilhões registrados em 2020. Segundo a empresa, o aumento reflete maior liquidez no mercado de cripto e o avanço de operações criminosas mais eficazes e globalizadas.
O relatório destaca que redes chinesas de lavagem de dinheiro, chamadas CMLNs, assumiram posição dominante nesse cenário. Essas organizações movimentaram US$ 16,1 bilhões em 2025. Isso significa uma média de US$ 44 milhões por dia distribuídos entre mais de 1.799 carteiras ativas. Além disso, as CMLNs representaram cerca de 20% de toda a atividade ilícita detectada pela Chainalysis durante o ano.

Redes chinesas ampliam influência global
De acordo com a empresa de análise, as CMLNs utilizam seis serviços principais para sustentar o fluxo de transações ilícitas. Esses serviços incluem corretores que realizam intermediações rápidas, mulas financeiras, mesas over-the-counter, plataformas do tipo Black U, serviços de apostas e estruturas dedicadas à movimentação de valores.
Tom Keatinge, diretor do Centre for Finance & Security do RUSI, afirmou que essas redes se expandiram rapidamente. Segundo ele, elas funcionam como estruturas bilionárias transnacionais que oferecem serviços baratos e eficientes para grupos criminosos espalhados pela Europa e América do Norte. Além disso, o especialista alertou que sua capacidade de adaptação torna o combate mais complexo.
A operação das CMLNs se fortalece com a rigidez das regras de controle de capital da China. Muitos indivíduos com alto patrimônio buscam alternativas para mover recursos para fora do país. Assim, eles fornecem liquidez que depois alimenta mecanismos associados a grupos criminosos. Chris Urben, diretor da Nardello & Co, destacou que a migração acelerada para ativos digitais se tornou um marco importante, substituindo sistemas informais antes utilizados.
Avanço policial e resistência das operações
Mesmo com a proibição do comércio de cripto na China desde 2021, bancos clandestinos seguem ativos. Em 2024, autoridades chinesas processaram 3.032 pessoas por envolvimento em esquemas de lavagem digital. No entanto, as operações investigadas continuam se expandindo para outros países.
Em um caso recente, autoridades alfandegárias da Coreia do Sul desmontaram um esquema de remessas irregulares de US$ 102 milhões. O grupo utilizava plataformas como WeChat Pay e Alipay para ocultar transações ilegais coordenadas por um cidadão chinês. A investigação revelou que as estruturas regionais funcionavam de forma interligada, o que elevou sua capacidade de movimentação.
Outro ponto destacado pela empresa é o avanço do Camboja nesse ecossistema. O país se tornou um dos principais polos de transações ligadas a atividades ilícitas. A plataforma Huione Guarantee, associada a um conglomerado cambojano, teria relação com operações que somam mais de US$ 49 bilhões em movimentações cripto conectadas a fornecedores das CMLNs.
Segundo a empresa, enfrentar essas redes exige cooperação direta entre autoridades públicas e empresas especializadas. Portanto, combinar capacidade legal com tecnologia avançada de análise blockchain se torna essencial para elevar custos e riscos das operações criminosas. Além disso, a adaptabilidade das CMLNs reforça a necessidade de ações coordenadas e constantes.
Com a expansão dessas redes, o volume global de lavagem digital atingiu níveis inéditos em 2025. Assim, o relatório reforça o impacto internacional das operações e mostra como mudanças regulatórias e o avanço das transações baseadas em cripto contribuíram para a evolução dessas estruturas nos últimos anos.