Reino Unido proíbe anúncio polêmico da Coinbase

Reguladores vetam campanha após críticas ao tom do vídeo

A Coinbase viu sua campanha publicitária mais recente ser proibida no Reino Unido após forte reação da Advertising Standards Authority. O órgão afirmou que o vídeo de dois minutos apresentava conteúdo irresponsável e, por isso, não poderá mais aparecer em plataformas como YouTube e serviços de streaming.

O material retrata um cenário distópico no país, com ruas deterioradas, ratos e clima úmido, além de críticas ao custo de vida. Trabalhadores cantam que tudo está bem, mesmo enfrentando situações difíceis, enquanto uma família rica diz estar deixando o Reino Unido rumo a Dubai. No entanto, o tom humorístico e o grande alcance da campanha geraram 35 reclamações, o que levou à análise formal.

As autoridades concluíram que o vídeo sugeria que as criptomoedas seriam uma saída para pessoas com dificuldades financeiras. Além disso, segundo a decisão, o conteúdo usava o contexto econômico desfavorável para incentivar mudanças nas finanças pessoais de forma implícita, o que poderia levar o consumidor a considerar a Coinbase como alternativa ao sistema tradicional.

“Ao retratar o país como falho em aspectos como custo de vida e habitação, os anúncios indicavam que o consumidor deveria buscar uma mudança financeira. Consideramos que isso posicionava a Coinbase como alternativa ao sistema financeiro tradicional.”

O anúncio não mencionava Bitcoin e também não exibiu informações sobre riscos. Apenas a frase “Se está tudo bem, não mude nada” aparecia na tela. Assim, para os reguladores, o humor aplicado a problemas reais dificultava a compreensão dos riscos envolvidos no investimento em cripto.

Autoridades apontam ausência de avisos de risco

A narrativa do vídeo também abordava dificuldades comuns no Reino Unido, como inflação alta e queda do poder de compra. Uma cena mostra um caixa de supermercado quebrando ao calcular o valor de um pacote de fish fingers, enquanto outra exibe um trabalhador que perde o emprego administrativo e passa a atuar como entregador.

Empresas do setor afirmam que o Bitcoin funciona como alternativa diante da desvalorização das moedas tradicionais, já que possui oferta limitada. No entanto, outdoors relacionados à campanha e espalhados em estações de trem e no metrô de Londres também foram proibidos até que recebam ajustes.

A empresa contestou a decisão, afirmando que o público britânico está mais informado sobre cripto do que há alguns anos. Além disso, rejeitou comparações entre Bitcoin e jogos de azar.

“A Coinbase disse que os anúncios não incentivavam comportamento socialmente irresponsável e não sugeriam soluções específicas para os problemas retratados. Os personagens foram apresentados como financeiramente estáveis.”

A argumentação, porém, foi criticada por autoridades, já que cenas exageradas mostravam problemas como um personagem caindo com a banheira pelo teto e uma família sem energia em casa. Ainda assim, a empresa destacou que novos usuários precisam realizar um teste de conhecimento e esperar um período de 24 horas antes de negociar, recurso apresentado como parte de sua defesa.

Decisão amplia repercussão do caso

Para o CEO Brian Armstrong, a decisão representa censura. Ele afirmou que, quando uma mensagem é proibida, existe um “fundo de verdade” incomodando. No entanto, como o vídeo não incluía informações essenciais sobre riscos, analistas afirmam que seria difícil obter aprovação desde o início.

A proibição não impede que a empresa divulgue o conteúdo em suas próprias redes sociais, mas veda o uso como publicidade paga em plataformas de vídeo. Curiosamente, esse veto impulsionou a visibilidade da campanha, ampliando sua circulação online.

O debate continua após especialistas apontarem que a decisão regulatória segue alinhada a outras medidas adotadas no Reino Unido para reforçar avisos de risco e proteger consumidores. A controvérsia ganhou ainda mais repercussão quando analistas passaram a citar que o episódio reflete a atenção crescente sobre publicidade relacionada a cripto.