Forças macro pressionam o mercado cripto em 2026

O diretor de investimentos da Bitwise, Matt Hougan, afirma que o mercado de criptomoedas enfrenta um cenário decisivo influenciado por fatores macroeconômicos distintos. De um lado, o ouro atinge recordes históricos. Do outro, cresce a incerteza sobre o futuro do Clarity Act nos Estados Unidos. Esses elementos moldam o comportamento de investidores e criam tensões que afetam expectativas de curto e médio prazo.

O avanço do ouro e seus impactos no mercado cripto

Hougan destaca que o movimento recente do ouro é extraordinário. O metal valorizou 65% em 2025 e já soma alta adicional de 16% em 2026, ultrapassando US$ 5.000. Esse ritmo surpreende analistas, pois supera ciclos tradicionais de commodities e indica mudanças estruturais na confiança global.

Segundo ele, o salto do ouro reflete preocupação crescente com moedas fiduciárias. Anos de expansão monetária e aumento de dívidas pressionam investidores a buscar alternativas mais seguras. Além disso, cresce a percepção de que depender exclusivamente de instituições tradicionais para proteção patrimonial já não basta.

Esse movimento ganhou força após 2022, quando os Estados Unidos congelaram reservas russas durante o conflito na Ucrânia. Assim, vários bancos centrais ampliaram compras de ouro para reduzir riscos geopolíticos. Economistas alemães sugeriram repatriar reservas mantidas no Federal Reserve de Nova York, enquanto análises norueguesas alertaram sobre riscos de possíveis intervenções em fundos soberanos.

Com isso, sistemas descentralizados como o Bitcoin ganham relevância. Esses modelos funcionam sem controle central e oferecem resistência à censura. Plataformas como Ethereum e Solana seguem regras imutáveis, o que fortalece a busca por autocustódia e independência de intermediários.

O papel da descentralização neste novo contexto

Para Hougan, a alta do ouro sinaliza que investidores desejam alternativas além do sistema financeiro tradicional. Assim, o interesse em ativos descentralizados cresce, impulsionado pela necessidade de proteção e autonomia em um cenário de incerteza monetária.

Clarity Act divide expectativas no ambiente regulatório

O segundo ponto crucial observado por Hougan é o destino do Clarity Act. Esse projeto pode redefinir o ambiente regulatório da criptoeconomia nos EUA. Se aprovado, ele consolidaria a postura atual, considerada favorável pela indústria. No entanto, uma rejeição abriria margem para mudanças bruscas sob futuras administrações. Hougan lembra que muitos temem cenários políticos mais rígidos, como uma possível gestão da SEC por figuras conhecidas por posições duras.

No início de janeiro, estimativas apontavam 80% de chance de aprovação do Clarity Act. Porém, críticas recentes reduziram esse número para cerca de 50%. Brian Armstrong, CEO da Coinbase, classificou a proposta atual como “inaplicável”, gerando ainda mais dúvidas.

Se o texto fracassar, Hougan prevê que o setor precisará demonstrar valor direto aos consumidores. Ele compara esse processo à expansão de empresas como Uber e Airbnb, que conquistaram espaço até influenciarem regulações. Para a criptoeconomia, isso significaria adoção crescente de stablecoins e de ativos tokenizados.

Efeitos imediatos nas expectativas de mercado

O resultado legislativo também afeta como o mercado precifica tendências. Uma aprovação poderia acelerar a valorização ao tornar previsíveis avanços de stablecoins e da tokenização. Caso contrário, investidores exigirão sinais claros de adoção antes de projetar altas.

No momento da análise, a capitalização total da criptoeconomia era de US$ 2,94 trilhões. O setor monitora a disparada do ouro e o impasse regulatório, fatores que influenciam o sentimento de mercado e redefinem estratégias de risco.

Total crypto market cap chart
Total crypto market cap, gráfico semanal. Fonte: TradingView