Crimes cripto batem US$158 bi em 2025, diz TRM

A TRM Labs, que atua no monitoramento do setor, apontou que as atividades ilícitas em cripto alcançaram US$158 bilhões em 2025, marcando o maior nível dos últimos cinco anos. O relatório mostra que, apesar do avanço relevante, a fatia ilegal caiu de 1,3% para 1,2% do volume total, indicando expansão ainda mais forte do uso legítimo. Além disso, a TRM afirma que operações ligadas ao governo russo impulsionaram grande parte desse crescimento.

Valor anual recebido por carteiras ilegais | Fonte: Relatório da TRM Labs

Avanço de redes russas domina fluxo ilícito

O relatório destaca que estruturas russas ampliaram suas operações de evasão de sanções em mais de 400% em 2025. Segundo a TRM, um ecossistema organizado pelo cluster de carteiras A7 e pela stablecoin atrelada ao rublo A7A5 concentrou a movimentação. Assim, a A7A5 passou de US$72 bilhões em volume anual, enquanto carteiras A7 somaram outros US$38 bilhões.

Essas transações fluíram por plataformas sancionadas como a exchange Garantex e serviços associados, incluindo o ambiente Grinex. Além disso, o relatório indica que entidades russas dominaram as operações ligadas a sanções, reforçando o peso geopolítico dessas redes. O avanço ocorre enquanto o governo russo amplia o acesso do público a soluções cripto para contornar pressões da União Europeia.

Stablecoins ganham espaço nas operações ilegais

A TRM relata que stablecoins se tornaram o principal instrumento de grupos restritos que precisam concluir pagamentos internacionais de forma ágil. Organizações passaram a usar serviços não custodiais, brokers OTC e camadas privadas de liquidação para evitar controles rígidos. Além disso, o uso de stablecoins acelerou sua capitalização de mercado para mais de US$300 bilhões em 2025, auxiliado por avanços regulatórios nos Estados Unidos, incluindo medidas como o Genius Act.

Aumento de crimes relacionados a criptomoedas por tipo em 2025 | Fonte: Relatório da TRM Labs

Expansão chinesa e novas dinâmicas do crime digital

Outro ponto relevante é o salto de serviços clandestinos em língua chinesa, que processaram mais de US$103 bilhões em 2025. Em 2020, esse total era de cerca de US$123 milhões. Portanto, o crescimento revela o tamanho da evolução dessas redes, que atuam em golpes digitais, crimes cibernéticos e canais de liquidação na Ásia-Pacífico. Com frequência, as liquidações ocorrem em stablecoins por meio de mesas OTC e esquemas de laranjas, antes da conversão para moedas locais.

Além disso, o relatório registra aumentos moderados em outros segmentos: mercados da darknet avançaram 20%, bens e serviços ilegais cresceram 12% e fundos hackeados tiveram alta de 31%. A TRM acrescenta que seus dados tendem a ser conservadores e poderão ser revisados conforme novas carteiras forem identificadas. Assim, autoridades iniciam 2026 sob pressão crescente para lidar com operações mais sofisticadas, muitas ligadas a interesses estatais.