Bitcoin recua com Fed rígido e saídas de capital

O Bitcoin voltou a ser negociado abaixo de US$ 89.000 após perder força rapidamente em um ambiente global mais tenso. Além disso, o mercado enfrenta o aperto das condições financeiras nos Estados Unidos, o que reduziu a disposição dos investidores em assumir risco diante da postura mais rígida do Federal Reserve e da instabilidade internacional.

O analista sênior da XS.com, Samer Hasn, afirmou que o sentimento no setor de cripto segue pressionado. Segundo ele, o Fed mantém postura entre neutra e hawkish, enquanto os conflitos no Oriente Médio intensificam a aversão ao risco. Assim, o mercado testemunha uma fuga constante de capital, o que diminui a liquidez e torna o ambiente mais vulnerável.

Mercado perde liquidez enquanto traders demonstram menor convicção

Enquanto ouro e prata recuperam a demanda, os ativos digitais têm registrado menor entrada de capital. De acordo com Hasn, o impulso especulativo do setor esfria devido à ausência de novos fluxos. Portanto, o Bitcoin não encontra suporte firme para sustentar movimentos de alta.

Os dados da CoinGlass indicam que o interesse aberto em futuros de cripto caiu 42% em relação aos níveis recordes, o que sinaliza menor apetite por risco. Tentativas de recuperação mais fortes do mercado seguem interrompidas por quedas rápidas, levando traders a reduzir posições diante de qualquer instabilidade. Além disso, o ambiente permanece sensível, ampliando a cautela.

No segmento institucional, o sentimento também ficou mais defensivo. Informações da SoSoValue mostram que ETFs de Bitcoin à vista registraram saídas de US$ 160 milhões nas últimas três sessões. Assim, grandes investidores optam por esperar sinais mais claros antes de reconstruir posições relevantes.

Os ETFs Spot de Bitcoin nos EUA estão enfrentando seu primeiro teste real após as entradas recordes de US$ 72,6 bilhões em outubro de 2025. Desde então, vimos saídas de pouco mais de 6 bilhões de dólares.

Fonte: Rand @cryptorand no X

A política monetária dos EUA reforça esse quadro. Jerome Powell destacou recentemente que não há urgência em cortar juros, mantendo a taxa entre 3,5% e 3,75%. Segundo William English, ex-economista do Fed, qualquer ajuste dependerá de mudanças relevantes no mercado de trabalho, algo que ainda não ocorreu.

Tensões globais ampliam a aversão ao risco e pesam sobre o Bitcoin

Além do cenário monetário, tensões geopolíticas aumentam a incerteza. A divisão interna no Fed e a movimentação de uma frota naval dos EUA rumo ao Irã elevaram a busca por ativos considerados porto seguro. No entanto, esse fluxo não beneficia o Bitcoin, que ainda é tratado como ativo de risco em períodos de instabilidade global.

Hasn destaca que investidores têm priorizado commodities tangíveis. Além disso, Matt Hougan, CIO da Bitwise, afirmou que a valorização do ouro acima de US$ 5.000 e a falta de avanço regulatório nos EUA tornam o momento crítico para o setor de cripto. Hougan também ressaltou a incerteza em torno do Clarity Act, que busca criar diretrizes mais claras para ativos digitais.

Combinando o aperto monetário, as saídas institucionais e a escalada das tensões internacionais, o curto prazo para o Bitcoin permanece desafiador. Portanto, indicadores recentes de fluxo, queda no interesse em derivativos e a postura cautelosa do Fed reforçam a necessidade de prudência até que o cenário global apresente sinais consistentes de melhora.