Bitcoin cai em meio à menor liquidez do dólar
A nova etapa do ano traz um ambiente financeiro mais rígido, marcado pela queda constante na liquidez do dólar nos Estados Unidos. Esse movimento afeta diretamente o Bitcoin, que reage de forma sensível à redução de dólares disponíveis no sistema. O cenário ganhou força após dados que mostraram um aumento expressivo no caixa do Tesouro dos EUA dentro do Federal Reserve, o que vem comprimindo ainda mais a liquidez.
Líquidez do dólar encolhe e pressiona ativos de risco
O Índice de Liquidez do USD segue em trajetória descendente há meses, refletindo condições financeiras mais apertadas. Em 29 de janeiro, o indicador ficou próximo de 10,88 milhões, queda de quase 7% desde o pico registrado em agosto de 2025, quando atingiu cerca de 11,79 milhões.
O recuo começou logo após o topo de agosto. No fim de outubro, o índice chegou a tocar 10,78 milhões. Houve algumas tentativas de recuperação nos meses seguintes, porém esses movimentos foram breves e incapazes de reverter a tendência predominante. Assim, o mercado reforça a leitura de que a oferta de dólares segue limitada.
Além disso, o padrão de topos e fundos menores consolida a percepção de que o ambiente de liquidez continua restrito e distante de qualquer estabilização.
Tesouro dos EUA amplia o aperto monetário
Arthur Hayes, cofundador da BitMEX, afirmou que a contração da liquidez se intensificou nas últimas semanas. Segundo ele, aproximadamente US$ 300 bilhões saíram do sistema nesse período. Um dos principais fatores é o aumento de cerca de US$ 200 bilhões no saldo da conta geral do Tesouro, a TGA.
A TGA funciona como a conta operacional do governo dentro do Federal Reserve. Quando esse saldo cresce, o dinheiro é retirado do sistema bancário. Portanto, as reservas dos bancos diminuem, o que comprime ainda mais a liquidez.
Hayes também mencionou a possibilidade de o governo estar acumulando caixa de forma preventiva, caso ocorra um shutdown que exija recursos imediatos para manter atividades essenciais.
Mercados reagem ao enfraquecimento da liquidez
O aumento do caixa do Tesouro tende a provocar efeitos diretos nos mercados financeiros, já que reduz o capital disponível para investimentos. Assim, ativos que dependem de maior apetite ao risco costumam sentir o impacto primeiro. Entre esses ativos estão ações, cripto e instrumentos de maior volatilidade.
No entanto, dados recentes sugerem que as breves altas na liquidez foram apenas movimentos temporários dentro de um ciclo mais amplo de aperto. Isso leva muitos investidores a reduzir exposição a ativos arriscados enquanto buscam alternativas mais defensivas.
Bitcoin recua e segue sensível ao cenário macroeconômico
O Bitcoin é negociado a US$ 82.396, queda diária de 6,3% e retração semanal de 7,8%. O ativo se distancia do recorde acima de US$ 126 mil marcado em outubro de 2025, acumulando queda de quase 35% desde então.
Além disso, Hayes reforçou que o comportamento atual do mercado está alinhado ao histórico do Bitcoin em períodos de menor liquidez. Em fases de expansão, o ativo costuma ganhar força. Entretanto, quando o volume de dólares encolhe, o preço enfrenta maior pressão.
No fim de 2025, houve tentativas de recuperação. Porém, a piora da liquidez em janeiro neutralizou esse movimento. Dados da CoinGlass indicam ainda queda de 42% no open interest de futuros desde o pico, com altas rapidamente anuladas por vendas. Assim, parte do capital migrou para ouro e prata, o que limita entradas no mercado cripto.
O que os investidores acompanham daqui para frente
O mercado monitora o saldo da TGA e dados do Federal Reserve em busca de sinais de alívio. Caso o Tesouro reduza seu caixa ou as reservas bancárias voltem a crescer, a pressão sobre ativos de risco pode diminuir.
Por ora, a liquidez restrita segue como fator dominante. Enquanto não houver reversão consistente, o Bitcoin e outros ativos sensíveis à liquidez devem continuar operando com limitações no curto prazo. Além disso, os recuos recentes e a queda na participação dos traders mostram como o aperto atual influencia diretamente o desempenho do mercado.