Ripple lidera reação contra imposto de riqueza na Califórnia
O cofundador da Ripple, Chris Larsen, uniu forças com o investidor Tim Draper para lançar o Grow California, uma iniciativa política de US$ 40 milhões criada para fortalecer legisladores moderados e enfrentar a crescente influência sindical no estado. A mobilização surgiu após a apresentação de um imposto sobre grandes fortunas, proposta que reacendeu tensões entre empresários do setor de tecnologia e cripto.
De acordo com o NYT, a iniciativa começou ainda em setembro, quando Larsen e Draper aportaram US$ 5 milhões cada. Assim, o movimento passou a figurar entre os maiores investimentos políticos já feitos por nomes da indústria tecnológica na Califórnia. A fortuna de Larsen, estimada em quase US$ 15 bilhões devido às participações em ativos digitais, reforça o impacto desse envolvimento.
A proposta que motivou essa reação foi apresentada pelo sindicato SEIU-United Healthcare Workers West. O texto prevê uma cobrança única de 5 por cento sobre patrimônios acima de US$ 1 bilhão, incluindo ganhos não realizados. Para Larsen, essa pauta provocou uma resposta sem precedentes entre líderes empresariais, que passaram a organizar uma frente política mais estruturada.
Disputa política impulsiona nova fase para o setor cripto na Califórnia
Larsen anunciou que pode investir até US$ 30 milhões do próprio patrimônio para sustentar o Grow California pelos próximos anos. O grupo pretende se concentrar em cerca de doze cadeiras legislativas estratégicas. Além disso, o projeto busca pautas relacionadas à segurança pública, ao combate à crise de pessoas em situação de rua e ao equilíbrio fiscal do orçamento estadual.
No entanto, o movimento não pretende influenciar diretamente a eleição para governador em 2026. Também não planeja financiar campanhas de alta complexidade na urna. Segundo Larsen, sua experiência com o super PAC Fairshake, apoiado pela Ripple, que destinou mais de US$ 100 milhões às eleições federais recentes, ajudou na definição dessa estratégia mais focada.
Draper, conhecido pelo entusiasmo com o Bitcoin e por propostas de divisão territorial da Califórnia, não comentou publicamente o projeto. Ainda assim, ambos defendem que a iniciativa não é movida exclusivamente por interesses da indústria cripto. Portanto, o objetivo seria criar um contrapeso político que, na visão deles, se perdeu diante do crescimento do poder sindical.
O governo Newsom lida com críticas pela forma como reagiu aos indultos concedidos pelo presidente Donald Trump a figuras ligadas ao setor cripto. Esse cenário adiciona tensão ao ambiente eleitoral e reforça o peso de grandes investidores nas disputas políticas.
A discussão também ocorre enquanto Ian Calderon entra na corrida para governador em 2026. O ex-líder da Assembleia, de 39 anos, apresentou uma plataforma abertamente favorável ao Bitcoin, defendendo a transformação da Califórnia em referência mundial em inovação digital. Ao mesmo tempo, Gavin Newsom lançou um site que monitora indultos presidenciais relacionados ao setor cripto, destacando nomes como Changpeng Zhao e Ross Ulbricht.
Regulação avança enquanto a disputa fiscal cresce no estado
Além desse ambiente político acirrado, a Califórnia amplia sua estrutura regulatória. A Lei de Ativos Financeiros Digitais entra em vigor em julho de 2025 e exige que empresas do setor tenham licenças específicas para atuar. A Assembleia aprovou ainda o AB 1180, criando um programa piloto que permitirá o pagamento de taxas estaduais com ativos digitais até 2031.
Enquanto isso, outros países seguem diferentes caminhos. O Japão adota um modelo que limita impostos sobre determinados ativos digitais a 20 por cento, enquanto a União Europeia avança com exigências de relatórios obrigatórios sob a DAC8. Já Coreia do Sul e Suíça enfrentam atrasos e só devem implementar regimes mais completos a partir de 2027.
Assim, mesmo com incertezas fiscais e políticas, as ações de legisladores, investidores e órgãos públicos na Califórnia já provocam efeitos concretos. Essas medidas ampliam debates regulatórios e reorganizam alianças entre empresas de tecnologia, lideranças sindicais e autoridades estaduais.