Bitcoin cai abaixo de US$80 mil e reacende debate da ARK

O movimento recente do Bitcoin para níveis abaixo de US$80 mil reacendeu discussões sobre liquidez global e sobre como ativos de proteção reagem em cenários de forte volatilidade. Esse recuo ampliou o debate em torno da relação entre ouro, cripto e fluxos de capital, tema analisado com frequência pela ARK Invest.

Leitura da ARK para o comportamento atual do mercado

A CEO da ARK Invest, Cathie Wood, mantém visão otimista para o Bitcoin e reforça sua estratégia de longo prazo. Segundo suas análises públicas, ela continua apoiando iniciativas que ampliam a adoção do ativo, mesmo quando ocorrem correções bruscas. Além disso, seus modelos projetam cenários de valorização até 2030, dependendo da expansão global da rede.

No entanto, esses cálculos não funcionam como garantias. Eles dependem de fatores como ambiente macroeconômico, ritmo tecnológico e disposição dos investidores em buscar alternativas ao sistema financeiro tradicional. Assim, a volatilidade atual se encaixa em um ciclo mais amplo observado pela empresa.

A correlação entre os preços do Bitcoin e do ouro tem sido de apenas 0,14 desde o início de 2020, e o ouro liderou os dois últimos grandes ciclos de alta do Bitcoin.

Fonte: Twitter de Cathie Wood

Ouro, liquidez e sinais históricos observados pela ARK

A equipe de pesquisa da ARK analisou a relação entre o valor de mercado do ouro e o M2 dos EUA. Segundo o relatório, essa proporção alcançou níveis vistos apenas na década de 1930 e próximo ao pico de 1980, momentos que antecederam correções expressivas no metal. Portanto, tais referências ajudam a contextualizar parte do comportamento atual dos investidores.

Mesmo assim, o desempenho recente do ouro não indica necessariamente um caminho semelhante para o Bitcoin. A baixa correlação de 0,14 mostra que os dois ativos reagem a fatores distintos. Ainda assim, ciclos anteriores revelaram que períodos de forte demanda por ouro ocorreram antes de altas relevantes do Bitcoin. Desta vez, porém, o padrão se alterou.

O ouro avançou com força em 2025, mas perdeu parte dos ganhos na sequência. Enquanto isso, muitos esperavam migração mais intensa de capital para o Bitcoin, algo que não ocorreu na mesma proporção. Esse descompasso reforça, segundo analistas, como o cenário global influencia cada ativo de maneira própria.

BTCUSD operando próximo de US$77.898. Fonte: TradingView

Mercado reage à queda após o pico de 2025

No levantamento mais recente, o Bitcoin operava na faixa de US$78.150. A volatilidade permaneceu intensa após o tombo registrado em outubro do ano anterior. Desde o topo de 6 de outubro de 2025, o ativo recuou mais de 35 por cento, refletindo incertezas globais e ajustes nos fluxos de capital.

Portanto, o movimento reforça a sensibilidade do mercado a sinais macroeconômicos, ao comportamento do dólar e ao apetite por risco. Além disso, analistas destacam que quedas bruscas tendem a acionar buscas por proteção, ainda que os ativos de reserva nem sempre sigam a mesma direção.

Funções distintas e expectativas diferentes

A ARK afirma que Bitcoin e ouro desempenham papéis diferentes no portfólio dos investidores. O Bitcoin segue impulsionado por fatores como adoção tecnológica, expansão da rede e oferta limitada. Já o ouro responde a temores monetários e busca por estabilidade em períodos de tensão.

Assim, apesar da correção atual, a ARK destaca que movimentos de curto prazo não devem definir conclusões sobre tendências de longo prazo. A combinação entre queda do Bitcoin, retomada parcial do ouro e baixa correlação entre ambos revela a complexidade do momento.

Além disso, o recuo do Bitcoin para níveis abaixo de US$80 mil reforça como o mercado continua sensível a choques externos. A análise da ARK indica que ciclos de liquidez, mudanças na percepção de risco e pressões macroeconômicas exercem impacto direto na forma como investidores equilibram exposição entre ativos digitais e tradicionais.