Bitcoin perde força enquanto metais avançam em 2026

O mercado financeiro global apresenta um contraste crescente entre o desempenho do Bitcoin e o avanço dos metais preciosos em 2026. A principal criptomoeda atravessa um período de consolidação, enquanto ouro e prata ganham força como refúgios tradicionais diante da instabilidade econômica.

Criptomoeda mantém consolidação em meio à cautela

Após marcar seu recorde histórico acima de US$126.000 em outubro de 2025, o Bitcoin recuou e passou a oscilar perto de US$76.839. Esse movimento reflete perda de fôlego e um mercado atento ao cenário macroeconômico ainda indefinido. Além disso, a volatilidade reduzida indica hesitação dos investidores em posições agressivas.

De acordo com dados analisados pela Glassnode, o mercado continua absorvendo o desmonte de alavancagem ocorrido no fim de 2025. As taxas de financiamento neutras ou levemente negativas nos futuros reforçam menor apetite por especulação, embora sem indicar capitulação.

Além disso, o fluxo de capital demonstra que investidores reduziram saldos em exchanges e ampliaram exposições passivas, como ETFs de Bitcoin. Assim, o mercado sinaliza realocação defensiva, sugerindo revisão estrutural após a euforia de ciclos anteriores.

Índice de Medo e Ganância segue em zona de extremo receio

O Índice de Medo e Ganância oscilou próximo de 14 pontos nas últimas semanas. Esse nível costuma indicar forte cautela, além de refletir um mercado dividido entre expectativas positivas e incertezas persistentes. No entanto, a impressão é de que o interesse comprador continua limitado.

Em janeiro, o indicador flertou com a zona de ganância durante uma recuperação que levou o ativo perto de US$98.000. Porém, o avanço perdeu força rapidamente, reforçando fragilidade do sentimento e sensibilidade às expectativas econômicas globais.

Perspectivas estruturais para os próximos meses

O comportamento do Bitcoin ao longo de 2026 tende a ser influenciado principalmente por adoção institucional, ambiente regulatório e estabilização dos fluxos em ETFs. Caso o quadro macroeconômico melhore, o ativo pode recuperar impulso. Entretanto, se a busca por segurança física permanecer dominante, o desempenho pode seguir atrás de metais como ouro.

Ouro e prata se fortalecem como refúgio financeiro

Enquanto a criptomoeda se mantém consolidada, ouro e prata avançam de forma consistente. O ouro superou US$5.500 por onça, e a prata ultrapassou US$120, segundo dados citados em Discovery Alert. Esses níveis reforçam demanda contínua, impulsionada por incerteza geopolítica e preocupações fiscais crescentes.

Além disso, bancos centrais de mercados emergentes ampliam reservas de ouro para reduzir exposição a moedas tradicionais. Já a prata se beneficia também de seu uso industrial, especialmente ligado à eletrificação e à transição energética, o que fortalece sua resiliência em diferentes cenários.

No entanto, ouro e prata registraram forte correção no fim de janeiro após ajustes nas expectativas sobre a política monetária dos EUA. A possibilidade de mudança na liderança do Federal Reserve fortaleceu o dólar e elevou rendimentos reais, pressionando ativos sem retorno embutido. Assim, posições alavancadas foram desmontadas antes de parte dos preços se recuperar.

Divergência reforça papéis distintos nos portfólios

A disparidade entre Bitcoin e metais preciosos evidencia características próprias de cada mercado. Enquanto a criptomoeda reage rapidamente a ciclos de liquidez e ao apetite por risco, ouro e prata continuam símbolos de preservação de capital. Portanto, o avanço dos metais indica preferência por segurança, enquanto o desempenho moderado do Bitcoin mostra que ele ainda não é visto como proteção imediata em períodos turbulentos.

Para os próximos meses, sinais de acumulação por investidores de longo prazo, normalização do sentimento e políticas monetárias globais seguem no radar do mercado. Já para ouro e prata, juros, atuação de bancos centrais e demanda industrial devem guiar os preços. Assim, a divisão entre ativos digitais consolidados e metais em alta continua marcando o comportamento dos investidores neste início de 2026.