Saídas em produtos cripto aumentam e pressionam mercado

Os produtos de investimento em cripto registraram forte retirada de capital na última semana, segundo dados da CoinShares. O movimento afetou diretamente o Bitcoin e ampliou o saldo negativo acumulado em 2026. De acordo com o relatório, investidores sacaram cerca de US$ 1,7 bilhão, enquanto o AUM do setor caiu de forma significativa desde o pico de outubro de 2025.

Os Estados Unidos concentraram a maior parte das saídas, somando US$ 1,65 bilhão. Além disso, quase todas as principais classes de ativos fecharam a semana com fluxos negativos. O Bitcoin liderou esse movimento devido à forte pressão de venda.

Saída de capital afeta produtos de Bitcoin

Segundo a CoinShares, os produtos lastreados em Bitcoin registraram US$ 1,32 bilhão em saídas na semana analisada. Os ETFs de Bitcoin à vista dos EUA foram responsáveis por grande parte do volume, com retiradas que somaram US$ 1,48 bilhão.

No momento da divulgação, o preço do Bitcoin estava abaixo do custo médio dos ETFs à vista. Esses produtos detêm aproximadamente 1,28 milhão de BTC, com AUM próximo de US$ 113 bilhões. Esse volume indica preço médio de entrada por volta de US$ 87.830 por unidade. No entanto, o valor do ativo recuou após forte onda de vendas, o que aumentou a pressão sobre os gestores.

Assim, o setor enfrenta queda adicional devido à combinação de menor liquidez e intenso movimento de realização de lucro.

Altcoins sofrem com cenário macroeconômico

O mercado como um todo perdeu cerca de US$ 400 bilhões em valor na última semana. Esse recuo reflete maior aversão ao risco por parte dos investidores, além de um ambiente macroeconômico mais restritivo. Produtos relacionados ao Ethereum registraram saídas de aproximadamente US$ 308 milhões, enquanto XRP e Solana também apresentaram retirada relevante de capital.

Conforme o relatório, produtos vinculados ao XRP registraram US$ 43,7 milhões em saídas. Já os voltados para Solana tiveram perdas de US$ 31,7 milhões. Esse cenário marca uma reversão importante, pois semanas anteriores mostravam maior entrada nesses ativos.

Além disso, o Índice de Medo e Ganância iniciou a semana em zona de medo extremo, reforçando a cautela generalizada no mercado.

Investidores buscam proteção em posições vendidas

Um dos poucos segmentos que avançaram foi o de produtos vendidos a descoberto de Bitcoin. As entradas somaram US$ 14,5 milhões, elevando o AUM dessa categoria em 8,1% no acumulado do ano. Portanto, parte dos investidores buscou proteção diante da volatilidade recente.

O fundador da Global Macro Investor, Raoul Pal, atribuiu o movimento de venda a uma redução temporária da liquidez nos Estados Unidos. Para ele, dificuldades no mercado de financiamento e paralisações do governo contribuíram para esse cenário.

Segundo Pal, esses fatores ampliaram a pressão sobre ativos de risco devido à contração de liquidez.

Além disso, alguns investidores passaram a considerar cortes de juros mais lentos sob a nova presidência do Federal Reserve, agora liderado por Kevin Warsh. Ele é conhecido por postura mais rígida quanto à inflação e ao uso de política monetária expansionista.

Assim, a combinação de queda no preço do Bitcoin, menor liquidez e expectativas econômicas mais cautelosas contribuiu para as fortes saídas registradas. O movimento atingiu tanto o principal ativo do mercado quanto altcoins relevantes, enquanto aumentou a busca por estratégias defensivas.