Bitcoin cai com cobre em nova onda de volatilidade global
O início de 2026 mostrou que o Bitcoin continua sensível ao cenário macroeconômico. Em 30 de janeiro, o ativo caiu abaixo de US$ 78.000 enquanto cobre, ouro, prata e platina também recuaram. Esse movimento simultâneo reforçou a percepção de que a cripto reage cada vez mais como um ativo de risco diante de incertezas globais.
O cobre foi o destaque negativo entre os metais. O preço ultrapassou US$ 14.500 por tonelada horas antes, mas perdeu quase 4% no fim do dia. A volatilidade recente reforçou o papel do metal como indicador da saúde econômica, motivo pelo qual é chamado de Dr. Copper.
No mercado de commodities, a oscilação foi intensa durante os últimos dias de janeiro. O cobre chegou a superar US$ 6,50 por libra antes de recuar para cerca de US$ 5,92 em 31 de janeiro. Enquanto isso, o Bitcoin acumula queda superior a 40% desde o recorde de US$ 126.173 registrado em outubro de 2025.
Impactos econômicos sobre cobre e Bitcoin
A importância do cobre aparece em setores como construção, infraestrutura, veículos elétricos e data centers de inteligência artificial. Estimativas do JPMorgan indicam aumento contínuo na demanda por causa da expansão de estruturas de IA. No entanto, preocupações macroeconômicas recentes pressionaram o metal.
Vasily Shilov, diretor de desenvolvimento da SwapSpace, apontou tensões geopolíticas como gatilho central da queda recente.
“As preocupações com a situação no Irã foram o principal fator de pressão sobre o mercado”, afirmou. Shilov também citou possíveis medidas comerciais contra Canadá, Coreia do Sul e Cuba, além da manutenção dos juros nos EUA sem previsão de cortes.
Correlação crescente entre Bitcoin e metais
A relação entre cobre e Bitcoin mudou nos últimos anos. Estudos conduzidos durante a pandemia revelaram o surgimento de correlações antes inexistentes entre criptos e commodities. Em dezembro de 2022, o índice de correlação entre Bitcoin e cobre chegou a 0,84, sugerindo comportamento semelhante ao de ativos ligados ao apetite por risco.
Analistas também acompanham o índice entre cobre e ouro como referência antecipada para movimentos do Bitcoin. Porém, em 2025, essa relação se distanciou. O cobre subiu mais de 40% no período, enquanto o Bitcoin recuou cerca de 6%, quebrando a dinâmica observada em ciclos anteriores.
Situação atual e respostas do mercado
A queda conjunta de 30 de janeiro mostrou que ambos os mercados permanecem vulneráveis aos mesmos fatores. O cobre foi afetado por expectativas de tarifas nos EUA, possível menor demanda chinesa e aumento antecipado de estoques no território americano.
No caso do Bitcoin, o obstáculo principal é a redução no fluxo de novos recursos. Segundo Shilov, o capital diminuiu de forma expressiva e investidores aguardam movimento lateral prolongado. Dados on-chain revelam volumes de transferência para exchanges perto de US$ 10 bilhões por mês, muito abaixo dos picos anteriores.
Pressões também afetam investidores institucionais. Estudos da Galaxy indicam preço médio de entrada dos ETFs de Bitcoin nos EUA por volta de US$ 87.830, acima do valor atual, deixando a maioria dos compradores no prejuízo. Isso contribuiu para resgates de cerca de US$ 2,8 bilhões nas últimas semanas.
No segmento de tokens lastreados em metais, liquidações somaram aproximadamente US$ 120 milhões no fim de janeiro. No mercado cripto em geral, posições alavancadas registraram mais de US$ 2,5 bilhões em liquidações.
Tendências e expectativas para o curto prazo
Os movimentos recentes sugerem que o Bitcoin tem se comportado mais como ativo de risco do que como reserva de valor. Para analistas, o comportamento atual aproxima o ativo do conceito de “cobre digital”, já que ambos reagem de forma semelhante às expectativas econômicas globais.
No curto prazo, a dúvida é se a queda reflete deterioração real da demanda ou apenas uma reorganização antes de sinais macro mais claros. O cobre segue apoiado pelo avanço da eletrificação e da infraestrutura de IA. Já o Bitcoin depende da recuperação do apetite por risco e de maior estabilidade internacional, fatores essenciais para uma possível retomada.