Setor manufatureiro dos EUA está positivo enquanto Bitcoin luta

O início da semana trouxe movimento relevante para os mercados globais, com a recuperação parcial do Bitcoin e a forte surpresa positiva no Manufacturing PMI dos EUA. O índice, calculado pelo Institute for Supply Management, atingiu 52,6 pontos em janeiro e superou a estimativa de 48,5 pontos. Além disso, o indicador voltou à zona de expansão pela primeira vez em mais de um ano, reforçando maior confiança empresarial.

Leituras acima de 50 pontos sugerem avanço da atividade fabril. O salto no PMI recebeu apoio principalmente dos novos pedidos, que chegaram a 57,1 pontos. A produção também mostrou melhora, e os pedidos em atraso retornaram para terreno positivo. Esses sinais indicam que empresas aumentaram o ritmo de compras e operação. No entanto, o componente de emprego permaneceu abaixo de 50 pontos, mostrando que a contratação segue atrás da retomada industrial.

Impacto do PMI no apetite por risco

No mercado de cripto, o relatório do ISM ganhou destaque por funcionar como termômetro antecipado da atividade econômica. Assim, quando o PMI avança, cresce a expectativa de melhora nos lucros corporativos e no consumo. Portanto, parte dos investidores tende a buscar ativos de risco. Essa dinâmica ocorre porque o fortalecimento industrial costuma sinalizar ciclos de confiança mais amplos.

A leitura acima de 50 pontos, após meses de contração, reforça que o ambiente financeiro pode estar migrando de cautela para novas oportunidades. Por isso, alguns participantes reduzem proteções e voltam a considerar ativos mais voláteis. Embora não determine tendência definida, o número melhor do que o previsto adicionou suporte ao sentimento de estabilização no mercado.

Bitcoin tenta se recuperar após forte queda

A divulgação do PMI coincidiu com o momento em que o Bitcoin buscava reação após uma das semanas mais difíceis do ano. O preço rompeu para baixo o nível dos US$ 80.000 e chegou brevemente à região dos US$ 75.000 no fim de semana, pressionado por liquidações. No início da segunda-feira, o ativo subiu para perto de US$ 78.400, registrando leve alta diária, mas ainda acumulando queda de cerca de 12 por cento nos últimos sete dias.

A correção eliminou mais de US$ 200 bilhões do valor de mercado do Bitcoin e ampliou a retração mais ampla, que já soma aproximadamente US$ 800 bilhões desde que o ativo superou US$ 126.000 em outubro. Esse movimento ocorreu em meio à aversão global ao risco após resultados fracos de empresas de tecnologia nos EUA e quedas nas bolsas europeias e asiáticas. Até mesmo ativos defensivos, como ouro e prata, recuaram diante do fortalecimento do dólar e da mudança nas expectativas para a política monetária após a indicação de Kevin Warsh para o Federal Reserve, anunciada em comunicado oficial.

A análise gráfica mostra o RSI em região de sobrevenda, sugerindo possibilidade de tentativa de recuperação. Ainda assim, existe risco de recuo até a área de US$ 72.000 antes da formação de suporte mais firme. Além disso, resistências próximas aparecem em US$ 79.000 e US$ 81.000, o que limita o espaço para avanços mais fortes no curto prazo.

A forte surpresa do PMI reforçou expectativas de melhora na atividade industrial dos EUA. Portanto, investidores analisam se esse ambiente poderá influenciar o comportamento do Bitcoin nos próximos dias. A combinação entre recuperação parcial do mercado e dados econômicos positivos mantém a atenção do mercado sobre níveis de suporte, volatilidade e o sentimento global de risco.