Canadá endurece regras de custódia cripto do CIRO
O CIRO apresentou um novo conjunto de regras para plataformas cripto no Canadá, com foco em fortalecer a segurança da custódia de ativos digitais. A iniciativa busca reduzir perdas causadas por invasões, fraudes e falhas de governança que ainda afetam o setor.
As diretrizes foram divulgadas como um quadro provisório de custódia, permitindo respostas rápidas a riscos emergentes enquanto o país prepara regulamentações definitivas. As normas atingem principalmente empresas que operam plataformas de negociação de ativos digitais e exigem maior rigor na mitigação de riscos tecnológicos, jurídicos e operacionais.
Novo modelo canadense endurece exigências de custódia
O sistema proposto é dividido em quatro níveis que classificam custodians conforme seu capital, supervisão regulatória, cobertura de seguro e resiliência operacional. Assim, o órgão determina o limite máximo de ativos que cada custodiante pode armazenar.
Custodians de nível superior podem custodiar até 100% dos fundos dos clientes. Entretanto, aqueles classificados em níveis inferiores ficam limitados a 40% dos ativos. Além disso, empresas que optam pela custódia interna só podem manter até 20% dos valores, o que pressiona plataformas menores a buscar parceiros com infraestrutura mais robusta.
O quadro também exige políticas formais de gestão de chaves privadas, diretrizes de segurança cibernética, planos de resposta a incidentes e controles para monitoramento de terceiros. Além disso, as empresas devem fornecer auditorias independentes, relatórios periódicos de conformidade, testes de invasão e comprovação de seguro proporcional ao risco operacional.
O CIRO afirma que o modelo pretende equilibrar inovação, segurança e proteção ao investidor.
A necessidade dessas medidas ganhou força após casos marcantes, como o colapso da QuadrigaCX em 2019, que resultou em perdas significativas para milhares de investidores. Portanto, o objetivo do órgão é criar um ambiente mais resistente e transparente.
Transparência reforçada em contratos de custódia
O CIRO também determina que contratos detalhem responsabilidades em situações de perdas decorrentes de negligência ou falhas evitáveis. Assim, a entidade busca ampliar a clareza contratual e reduzir riscos que muitos usuários desconhecem.
Órgãos canadenses ampliam fiscalização cripto
O movimento regulatório ocorre em um momento de maior atenção sobre atividades cripto no país. Em outubro, a FINTRAC multou a exchange Cryptomus em cerca de US$ 126 milhões por falhas na notificação de transações suspeitas ligadas a mercados clandestinos. Além disso, plataformas estrangeiras como KuCoin e Binance também receberam penalidades ao longo do ano por descumprimento de normas de combate à lavagem de dinheiro.
O CIRO possui autonomia para investigar condutas inadequadas e aplicar punições que incluem multas e suspensões. Com o novo conjunto de regras, a fiscalização se torna ainda mais rígida diante do crescimento do setor e da necessidade de proteger investidores.
Canadá avança em regulação de stablecoins
Paralelamente, o governo canadense desenvolve seu primeiro marco regulatório para stablecoins lastreadas em moeda fiduciária, previsto para 2025. O Banco do Canadá deve direcionar US$ 10 milhões em dois anos para supervisionar o modelo, inspirado em iniciativas adotadas nos Estados Unidos após o GENIUS Act.
Com essas medidas, o Canadá intensifica sua agenda regulatória. As novas diretrizes do CIRO, elaboradas em consulta com empresas do setor, devem impactar de forma imediata a operação de plataformas e custodians. Portanto, ao reforçar normas de capital, governança e segurança, o país busca reduzir vulnerabilidades e aumentar a confiança no mercado cripto local.