Campeão enxadrista desvia 1,5 milhão em USDT de investidor brasileiro

Um campeão de xadrez da Colômbia, identificado como Daniel Uribe Arteaga, foi condenado a oito anos de prisão pela Justiça do DF após aplicar golpe milionário em um empresário brasileiro do ramo de criptomoedas do Distrito Federal.  A vítima sofreu prejuízo de 1,5 milhão de USDT, quantia equivalente a cerca de R$ 7,8 milhões.

O colombiano, conhecido em seu país por competir em alto nível no xadrez, aproximou-se do empresário ao longo de 2024. Ele usou a falsa identidade de executivo espanhol com operações nos Estados Unidos e no Paraguai, criando uma narrativa sólida que buscava transmitir credibilidade. Além disso, os encontros ocorriam em uma barbearia de alto padrão no Setor Noroeste, em Brasília, cenário que reforçava a estratégia de persuasão do golpista.

Golpe com USDT usou narrativa convincente para atrair a vítima

Segundo as investigações, Daniel Uribe sustentava que atuava no mercado de importação de iPhones em grande escala. Ele afirmava que precisava manter um fluxo semanal de cerca de 4,5 milhões de USDT para pagar fornecedores chineses. Assim, propôs ao empresário brasileiro um modelo de operações envolvendo criptomoedas e troca por dólares no Paraguai, prometendo retorno de 2% por transação.

O suposto esquema imitava práticas legítimas de arbitragem cambial e uso de stablecoins, o que gerou confiança. Para aumentar ainda mais a credibilidade, o colombiano realizou uma operação-teste de apenas US$ 100, que funcionou sem qualquer problema. Assim, a vítima decidiu avançar com a remessa de 1,5 milhão de USDT. No entanto, logo após receber o montante, o golpista interrompeu toda comunicação e desapareceu.

Investigação rastreia movimentações e revela uso de múltiplas carteiras

A Polícia Civil analisou imagens de câmeras de segurança que registraram o momento em que Daniel Uribe deixou sua residência às pressas após confirmar a transação. Além disso, a investigação identificou que ele dividiu os valores entre diversas carteiras digitais e contas em exchanges, estratégia usada para dificultar o rastreamento das operações.

As autoridades descobriram também que o golpista utilizou parte dos recursos para compras imediatas. Incluindo uma bolsa de R$ 52 mil da Louis Vuitton, adquirida apenas um dia após o golpe. Assim, os policiais ampliaram o monitoramento das carteiras ligadas ao colombiano e solicitaram apoio da Tether, responsável pelo USDT.

Com a cooperação da empresa, cerca de 1 milhão de USDT foram congelados. Embora o bloqueio não tenha recuperado o valor total, impediu que essa parte do montante fosse convertida ou movimentada por Daniel Uribe, preservando recursos que podem futuramente ser devolvidos à vítima.

Justiça condena golpista e destaca importância do rastreamento de stablecoins

Após a conclusão da investigação, a Justiça do Distrito Federal condenou Daniel Uribe Arteaga a 8 anos, 10 meses e 15 dias de prisão em regime inicial fechado. Na sentença, o juiz rejeitou todas as teses da defesa, que alegavam desde a incompetência da jurisdição brasileira até a ausência de provas.

“O denunciado construiu narrativa sofisticada, apresentou-se com identidade falsa e simulou operação legítima de câmbio envolvendo criptoativos, utilizando-se de videochamadas, comunicações digitais e do fornecimento de endereço de carteira blockchain para induzir a vítima a erro”, consta na decisão.

Ele também foi obrigado a pagar R$ 404.997,00 como reparação mínima pelos danos financeiros causados ao empresário. A sentença ainda permite recurso, e o réu permanece em liberdade enquanto o processo segue em andamento.

O caso reforça como operações com stablecoins podem ser usadas tanto em negociações legítimas quanto em fraudes sofisticadas. Além disso, demonstra que histórias bem construídas e promessas de lucro rápido continuam sendo elementos comuns em golpes envolvendo ativos digitais. A cooperação entre autoridades. E emissores de stablecoins permanece essencial, pois mecanismos de rastreamento e congelamento ajudam a reduzir danos e a recuperar parte dos valores desviados.